A saída de casa dos filhos e o fim de um casamento de 32 anos levaram a psicóloga Thaís Pacheco Maragliano a redescobrir quem é além da maternidade. Sem essa função, a rotina ficou mais silenciosa e incerta. Thaís mudou-se para São Paulo sozinha e passou a dedicar-se a hobbies antes esquecidos.
Ela voltou a dançar forró, faz duas aulas por semana e planeja retomar a capoeira e viajar em grupo. A atividade facilita novas amizades e uma sensação de pertencimento em uma cidade sem rede de apoio. O forró tornou-se símbolo de reconexão com a identidade.
Reencontros e mudanças
A psicóloga explica que o ninho vazio não é apenas casa mais quieta, mas uma reorganização de quem se é. Para Thaís, preencher o tempo não é objetivo; é entender o que quer e o que gosta. O processo tende a ser gradual, com avanços e dúvidas.
Além de Thaís, outras histórias destacam a mesma dinâmica. Lívia Evangelista Bomfim, de Salvador, passou a viajar quase todo fim de semana e a dedicar mais tempo a si mesma, após ver os filhos irem morar sozinhos. A mudança teve efeito positivo na autoestima.
Para as especialistas, o envolvimento em hobbies pode acelerar a reconstrução da identidade. Em alguns casos, reacender paixões antigas como dança ou viagens ajuda a reduzir sentimentos de invisibilidade e facilita o redirecionamento pessoal.
Alguns relatos mostram que nem sempre a mudança é acompanhada de tristeza. Regina Boni, de Bauru, ficou feliz com a progressão do filho para cursar medicina. A liberação do tempo possibilitou retomar atividades como dança de salão e, em breve, dança do ventre.
Pesquisas e especialistas apontam que manter vínculos sociais e projetos pessoais ajuda a enfrentar o ninho vazio de forma mais saudável. O consenso é claro: a fase requer olhar atento para as próprias necessidades e desejos.
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