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Startupt indiana usa cães e IA para detectar câncer pelo hálito humano

Estudo com mais de 1.500 participantes alcançou 90% de precisão na identificação de sete tipos da doença

Esta fotografia, tirada em 28 de julho de 2026, mostra um beagle farejando uma amostra durante um teste em um laboratório da Dognosis, na vila de Kempohalli, nos arredores de Bengaluru. Um número crescente de pesquisas globais sugere que cães podem ser treinados para detectar câncer e outras doenças humanas, desde Parkinson até Covid-19. Agora, a startup Dognosis, sediada em Bengaluru, está usando inteligência artificial para analisar a atividade cerebral, a respiração e a linguagem corporal dos cães, transformando suas reações ao odor em dados.
Startup indiana já alcançou 90% de precisão na identificação de sete tipos de câncer utilizando cachorros (Créditos: Idrees Mohammed/AFP)

A Dognosis, startup de Bangalore, na Índia, está desenvolvendo um método experimental que combina o faro de cães e a inteligência artificial para detectar câncer pelo hálito.

Chloe, uma cadela de quatro anos, participa da iniciativa. Quando não corre por uma fazenda próxima a Bangalore, um dos principais polos tecnológicos da Índia, ela recebe treinamento para reconhecer sinais de tumores na respiração humana.

Durante os testes, Chloe usa um capacete e uma coleira impressos em 3D e equipados com sensores. A proposta é aproveitar a capacidade olfativa dos cães para criar uma forma simples e não invasiva de detectar o câncer.

Pesquisas realizadas em diferentes países indicam que os cães podem ser treinados para identificar o câncer e outras doenças, como Parkinson e covid-19. Isso ocorre porque algumas enfermidades podem alterar as substâncias químicas liberadas pelo corpo e produzir odores específicos.

Os cães têm aproximadamente 300 milhões de receptores olfativos, enquanto os seres humanos possuem cerca de 5 milhões.

IA transforma as reações dos cães em dados

A Dognosis usa inteligência artificial para analisar a atividade cerebral, a respiração e a linguagem corporal dos animais. O sistema transforma as reações dos cães aos odores em dados.

“Eles podem farejar mil vezes por hora”, diz Akash Kulgod, 26, cofundador da Dognosis. “Cada farejada pode avaliar uma amostra.”

No teste, o paciente respira em uma máscara de algodão durante cerca de 10 minutos. Em seguida, o material é lacrado em um saco e levado ao laboratório para ser farejado por um cão.

A Dognosis prevê lançar comercialmente a tecnologia em 2027. A startup segue o caminho de outras duas empresas do setor localizadas na Alemanha e em Israel.

A empresa também trabalha com instituições médicas governamentais em suas pesquisas. Os cães poderiam atuar em uma primeira etapa de detecção simples e acessível, antes da realização de exames mais aprofundados.

A identificação precoce é fundamental para aumentar as chances de sobrevivência ao câncer. Na Índia, porém, muitos pacientes recebem o diagnóstico quando a doença já está em estágio avançado.

Estudo registrou 90% de precisão

O estudo recente da Dognosis reuniu mais de 1.500 participantes de seis hospitais do estado de Karnataka e foi publicado na revista Journal of Clinical Oncology. Segundo a empresa, o método alcançou 90% de precisão na detecção de sete tipos de câncer.

Especialistas em câncer de Bangalore que não participaram do projeto demonstraram otimismo, mas afirmaram que novos estudos são necessários.

“O estudo é promissor; é um sinal inicial”, comentou Santhosh Kumar Devadas, chefe de Oncologia do Hospital Memorial Ramaiah. “Mas eles precisam realizar o estudo com grupos maiores antes que possamos tirar conclusões definitivas”, observou.

Neelesh Reddy, consultor de Oncologia dos hospitais de Manipal, disse que “só o tempo dirá o quão útil essa tecnologia será para pacientes reais”.

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