Às vésperas do Dia das Crianças, muitos adultos procuram opções de presente para filhos, sobrinhos e netos. Com preços entre R$ 30 e R$ 50 em lojas virtuais, os squishies se tornaram uma alternativa atrativa de presente, principalmente por parecerem inofensivos.
Com formatos que lembram animais ou comidas, os brinquedos flexíveis viraram febre nas redes sociais. No TikTok, há dezenas de vídeos com centenas de comentários e visualizações, além de transmissões ao vivo que vendem os produtos na própria plataforma.
Basta continuar rolando o feed para que apareçam vídeos de desafios. Em um deles, o criador de conteúdo Stash, que tem mais de 1,3 milhão de seguidores, aquece os brinquedos até que explodam. O vídeo original foi apagado do perfil, mas outros, em que ele corta e fura squishies, continuam disponíveis.
No Rio de Janeiro, uma menina ficou gravemente ferida depois de colocar um squishy no micro-ondas por 30 segundos. O caso não é isolado. Na Austrália, uma criança de 10 anos queimou o rosto ao repetir o mesmo desafio.
Segundo o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), os squishies têm “aversão ao calor” e nunca devem ser expostos a fornos, micro-ondas ou mesmo à luz solar direta prolongada dentro de veículos. O órgão alerta que os chamados “desafios virais” da internet têm incentivado essas práticas e provocado acidentes graves.
Quais são os riscos dos squishies?
Por serem macios e sem pontas, os squishies costumam ser vistos pelos pais como opções seguras de presente. No entanto, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) adverte que objetos aparentemente inofensivos estão entre as principais causas de atendimentos de emergência por asfixia, intoxicação e queimaduras.
A pediatra Tania Zamataro, membro do Departamento Científico de Segurança da SBP, alerta para o perigo de aquecer o material.
“A ideia de colocar no micro-ondas, que é proibidíssimo, não é para esquentar aquilo de jeito nenhum. As queimaduras são horrorosas, porque são substâncias que não eram para ter sido aquecidas e entram em contato com as crianças direto”, explica a médica.
Além dos riscos ligados às redes sociais, os brinquedos podem causar asfixia e intoxicação. Nos Estados Unidos, produtos foram recolhidos depois que se identificaram, no interior dos squishies, bolinhas de gel que se expandem em contato com a água.
No Reino Unido, lotes foram recolhidos por apresentarem níveis de benzeno acima do permitido. O benzeno é classificado como cancerígeno pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (Iarc), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS).
No consultório, Zamataro diz que muitas crianças contam que esses brinquedos têm cheiro forte, o que pode indicar a presença de substâncias tóxicas na composição. Segundo a médica, os squishies foram criados para aliviar o estresse de adultos e depois adaptados para crianças, com formatos e texturas que lembram alimentos, como chocolates e frutas.
“A criança pequena já conhece o mundo pela boca, imagina se [ela] não vai dar uma dentada naquilo. Se for um negócio com forma de comida, além de tudo, o apelo para enfiar aquilo na boca é muito grande.”
A pediatra recomenda o brinquedo apenas para crianças com mais de 10 anos e orienta os pais a conferirem se o produto tem o selo do Inmetro.
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Mercado irregular
Segundo a médica, o maior risco está nos produtos vendidos no mercado irregular, como camelôs e feiras de rua. “É muito mais barato, mas é um risco que você não sabe o que você está pondo em casa”, afirma.
Apesar da popularidade dos squishies, o mercado legalizado no Brasil é restrito. Em nota, o Inmetro informou que apenas duas empresas têm registro ativo para vender o produto no país: Alev Importação e Exportação Ltda. e Growth Future Vendas e Participações Empresariais Ltda.
O Portal Tela procurou as duas empresas para saber quais são seus procedimentos de controle de qualidade, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.
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