Um novo estudo aponta que um grupo popular de pesticidas pode afetar aves migratórias que fazem paradas em áreas agrícolas. A pesquisa analisou o impacto do imidacloprid, um neonicotinoide, em pássaros- sparrows. Os resultados indicam perda de peso e atraso na migração.
A equipe liderada por Margaret Eng, da University of Saskatchewan, acompanhou animais silvestres na fronteira entre EUA e Canadá, no início de 2017. 36 aves foram capturadas em Ontario, temporariamente mantidas em gaiolas e depois soltas, com monitoramento de peso e de movimentos.
Metodologia
Os passarinhos foram distribuídos ao acaso em três grupos: 12 recebendo sementes tratadas com dose baixa de imidacloprid, 12 com dose mais alta subletal e 12 com sementes sem pesticida. A cada grupo, peso, composição corporal e localização pós-libertação foram registrados.
Ao comparar com aves alimentadas com sementes sem pesticida, as que comeram sementes com dose baixa perderam cerca de 3% do peso corporal e 9% da gordura. As expostas à dose mais alta registraram quedas de 6% no peso e 17% na gordura.
Resultados e desdobramentos
Os efeitos não se limitaram ao curto prazo. Mesmo após a liberação, aves expostas a doses mais altas permaneceram, em média, 3,5 dias a mais na área de parada antes de seguir a migração. Autores apontam ligação entre supressão do apetite e atraso no voo.
Eng afirmou que os efeitos observados ocorrem com doses compatíveis com o que poderia ser ingerido na natureza, equivalentes a alguns sementes tratadas. A pesquisa sugere potencial contribuição de neonicotinoides para o declínio de espécies de pássaros que dependem de campos agrícolas.
Créditos e contexto
O estudo destaca a migração como etapa crítica, na qual atrasos podem prejudicar acasalamento e nidação. A coautora Christy Morrissey reforça que parte de espécies de campo vem apresentando quedas desde 1966, o que torna relevante compreender o papel dos pesticidas.
A pesquisa foi publicada na revista Science, com apoio de trabalhos anteriores em ambientes controlados. Especialistas ressaltam a necessidade de mais estudos para confirmar efeitos em populações distintas de aves migratórias.
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