A nova pesquisa indica que microplásticos estavam presentes no tecido de placentas humanas, o que pode ter implicações para a saúde fetal. O estudo aponta que as partículas provavelmente entraram no organismo materno por ingestão e inalação, chegando até a placenta.
Foram analisadas seis placentas de mulheres com gravidez e parto saudáveis. Os investigadores adotaram um protocolo sem plástico durante o parto, trocando luvas plásticas por algodão e evitando o uso de itens de plástico para evitar contaminação cruzada.
A pesquisa identificou 12 fragmentos de microplástico em quatro das seis placentas estudadas. Três desses fragmentos foram reconhecidos como polipropileno; os demais parecem ser pedaços de plásticos diversos usados em revestimentos, tintas, adesivos, cosméticos e itens de uso pessoal.
Metodologia e resultados
Os autores ressaltam que ainda não é possível confirmar efeitos diretos na saúde, mas destacam o papel crucial da placenta no desenvolvimento fetal. O líder do estudo, Antonio Ragusa, sugere que é provável que microplásticos também estejam presentes nos bebês, embora seja necessária confirmação em estudos adicionais.
A análise sugere que as micropartículas podem ter entrado no corpo materno pela alimentação ou pela respiração, seguido de translocação para a placenta. Pesquisadores independentes ouvidos por meio de Mongabay enfatizaram que o tema exige investigação adicional para entender possíveis impactos imunológicos.
Ragusa reconhece que, apesar de as crianças nascidas no estudo estarem saudáveis, as partículas podem interferir em vias celulares de regulação imune. O pesquisador aponta a necessidade de investigar a presença de microplásticos no sangue do cordão umbilical e, futuramente, no leite materno.
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