O estudo aponta que pumas não devem recolonizar grande parte de seu histórico leste nos EUA. Pesquisadores modelaram a expansão da espécie Puma concolor até 2100, revelando que apenas 2,1% da faixa histórica na América do Norte deverá retornar, com foco principal no norte boreal do Canadá. Os highways e o possível desenvolvimento humano impedem o avanço, mesmo com presas e habitat disponíveis em algumas áreas.
O que explica o resultado é o mosaico de estradas, cidades e áreas urbanas que fragmentam o território. O modelo utilizou dados de movimento, natalidade e sobrevivência para estimar onde os pumas poderiam estabelecer populações reprodutivas. A conclusão mantém o leste do continente como essencialmente inviável para a recolonização natural.
Detalhes do estudo
Segundo Mark Elbroch, coautor e diretor do programa de pumas da ONG Panthera, a presença de pumas no leste dependeria de reintrodução humana. O pesquisador destacou que a realocação de indivíduos seria necessária para ampliar a ocorrência reprodutiva naquela região. Em relação à situação atual, relatos de avistamentos no leste costumam envolver animais de origem sul-americana, não de populações ocidentais que migrariam para o leste.
A pesquisa ainda aponta benefícios ecológicos de uma população de pumas bem estabelecida, como redução de colisões com presas e possível menor transmissão de doenças. Estudos anteriores já indicaram a mortalidade de pumas em estradas na Califórnia, elevando a relevância de entender a dinâmica entre habitat disponível e barreiras físicas.
Conclusões e próximos passos
Os autores destacam que não há risco imediato de extinção para a espécie, classificada como menos preocupante pela IUCN. No entanto, metade dos EUA não estaria cumprindo a função ecológica esperada pela presença de pumas. O estudo reforça a necessidade de estratégias de manejo e, se houver interesse real na restauração, a reintrodução seria a única via para o leste.
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