O último contingente de geleiras tropicais da África está desaparecendo rapidamente, impulsionado pelo aquecimento global. No Parque Nacional Rwenzori, na fronteira entre a República Democrana do Congo e Uganda, o recuo das geleiras ameaça água, meios de vida e cultura locais, segundo a ONG Project Pressure, em apoio ao Dia Mundial das Geleiras.
A geleira do Stanley Plateau tem perdido quase 30% de sua superfície entre 2020 e 2024, com Baker e Speke já sem geleira. As mudanças ocorrem conforme a linha de fusão se eleva, levando ao encolhimento de geleiras remanescentes na região.
Alfred Masereka, agente de monitoramento da Uganda Wildlife Authority, afirma que as geleiras alimentam o Nilo e fornecem água para cerca de 5 milhões de pessoas a jusante. A água também sustenta hidrelétricas, irrigação, pecuária e pesca locais, além de impulsionar o turismo.
A região enfrenta secas mais intensas e bacias mais úmidas, elevando o risco de enchentes, deslizamentos e incêndios florestais. O impacto atinge os Bakonzo, povo que tem ligação cultural com as geleiras, associando-as a divindades e ao patrimônio regional.
Em parceria com autoridades locais, Project Pressure mapeou as geleiras remanescentes dos Rwenzori e instalou equipamentos de monitoramento de longo prazo. Junto com a UNESCO, foi criado um modelo 3D da geleira Stanley Plateau para orientar ações de adaptação.
A suposta perda gradual das geleiras tropicais da África já é tema de pesquisas científicas: a expectativa é de que, sob o atual ritmo de aquecimento, algumas geleiras acelerem para desaparecer até 2050. A continuidade do estudo visa informar políticas de gestão hídrica e conservação.
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