O aluguel de terras e a elevação de cultivos marcam uma transformação no Eje Cafetero. Agricultores de Risaralda migraram de cafeeiro para cacau em áreas de 800 a 1.500 metros de altitude, buscando adaptabilidade às mudanças climáticas e à viabilidade econômica.
Especialistas dizem que a mudança não é apenas uma adaptação pontual, mas uma transformação estrutural na região. Enquanto a área plantada de café diminui, o cacau registra crescimento contínuo desde 2014, com recordes de produção em 2024.
Claudia Giraldo, agricultora de Risaralda, aponta que a transição envolve readequação de manejo. Em cinco anos, parte das lavouras de café foi substituída pelo cacau, considerado mais fácil de gerir diante de temperaturas crescentes.
Dinâmica atual do cultivo e custos
O cacau vem se expandindo para altitudes intermediárias entre 800 e 1.200 metros, e em alguns locais acima disso. A produção nacional atingiu 73 mil toneladas em 2024, com a valorização dos preços impulsionando decisões de troca de culturas.
Pesquisadores destacam que o clima favorece o cacau, cuja resistência a pragas e doenças, aliada à menor dependência de químicos, torna o cultivo mais sustentável em muitos sistemas agroflorestais. Em contrapartida, o café enfrenta pragas como a ferrugem e o broca, agravadas pelo aquecimento.
Fatores econômicos e perspectivas
Os preços do cacau atingiram recordes em 2024, próximos de 12,9 mil dólares por tonelada, elevando seu apelo econômico. A demanda global por cacau premium também contribui para a atratividade no Brasil, Colômbia e outros produtores da região.
Para produtores como os de Risaralda, além do custo de manejo de pragas no café, a possibilidade de colheita de cacau ao longo de semanas oferece flexibilidade de mão de obra, favorecendo o retorno financeiro. Planos de grafting e uso de híbridos fortalecem a qualidade e a resistência das plantas.
Desafios e impactos ambientais
Especialistas alertam que o impulso de ampliar áreas de cacau pode exigir manejo cuidadoso do solo, para evitar degradação. Práticas de monitoramento semanal ajudam a identificar infestações precocemente e reduzir danos sem recorrer excessivamente a químicos.
O cenário indica uma mudança gradual na matriz de cultivo, com o cacau ganhando espaço não apenas como alternativa, mas como cultivo dominante em zonas antes dedicadas ao café. A tendência de longo prazo dependerá de clima e governança agroindustrial.
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