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Tesla Roadster une aerodinâmica e propulsão para ampliar desempenho

Carro combina controle de fluxo de ar e sistemas inspirados no setor aeroespacial para buscar mais aceleração e aderência

Tesla Roadster usa tecnologia de propulsores para voar | Foto: Divulgação / Tesla
Tesla Roadster usa tecnologia de propulsores para voar | Foto: Divulgação / Tesla

O novo Tesla Roadster aparece como uma vitrine de tecnologias que vão além da eletrificação tradicional. O conceito apresentado para o esportivo combina motores elétricos, aerodinâmica ativa e sistemas de propulsão auxiliares inspirados na indústria aeroespacial para tentar elevar aceleração, aderência e controle do veículo.

Um dos pontos centrais é o uso da própria aerodinâmica para aumentar a pressão do carro contra o solo. O conceito prevê a retirada de ar da região inferior do veículo por ventiladores, criando uma área de baixa pressão sob o assoalho. A diferença de pressão entre as partes superior e inferior aumentaria o downforce, mantendo o automóvel mais aderente mesmo em velocidades mais baixas.

Na prática, o aumento da força exercida sobre os pneus permite ampliar o limite de tração disponível. Essa solução trabalharia em conjunto com o conjunto elétrico tradicional, no qual a energia armazenada na bateria passa pelo inversor e alimenta os motores responsáveis por movimentar as rodas.

Propulsores de ar comprimido

A proposta também prevê um sistema de ar comprimido, armazenado em um reservatório e liberado por bocais instalados no veículo. Ao expulsar o gás para trás, o sistema poderia fornecer impulso adicional para a frente, complementando a força dos motores elétricos durante acelerações.

O mesmo princípio poderia ser utilizado para ajudar no controle do carro em diferentes direções. Uma configuração conceitual apresentada para o Roadster inclui propulsores capazes de gerar forças adicionais e auxiliar no controle de atitude do veículo, aproximando algumas soluções do automóvel das utilizadas no setor aeroespacial.

A combinação de tração elétrica, downforce gerado pelo fluxo de ar e propulsão auxiliar é apresentada como caminho para atingir acelerações extremas. O material conceitual aponta a possibilidade de ir de 0 a 60 milhas por hora — cerca de 96 km/h — em aproximadamente um segundo, embora ressalte que o cálculo é ilustrativo e não representa um teste medido.

Tecnologia espacial chega aos carros

As soluções propostas para o Roadster refletem uma aproximação crescente entre tecnologias desenvolvidas para automóveis e para aplicações espaciais. Essa integração aparece também nos planos apresentados para Tesla e SpaceX ampliarem o controle sobre componentes críticos, especialmente semicondutores.

Nesse contexto está a Terafab, projeto descrito como uma fábrica conjunta de Tesla e SpaceX no Texas, com participação da Intel no processo. A proposta é concentrar produção de lógica, memória, empacotamento avançado e testes de chips em um mesmo complexo, reduzindo a dependência de fornecedores externos.

A primeira etapa teria investimento de cerca de US$ 16,8 bilhões, enquanto fases posteriores poderiam levar o projeto a dezenas de bilhões de dólares. O objetivo apresentado é alcançar mais de 1 terawatt de capacidade computacional produzida por ano.

Essa estrutura teria aplicações que vão muito além dos carros. Os semicondutores seriam destinados também ao Starship, aos novos satélites Starlink e a projetos de computação orbital descritos para a SpaceX.

Projeto da Terafab, que deve se tornar a maior fábrica de semicondutores do planeta | Foto: Divulgação

Projeto da Terafab, que deve se tornar a maior fábrica de semicondutores do planeta | Foto: Divulgação

Starship, Starlink e computação orbital

Entre os planos apresentados, o Starship serviria como infraestrutura para reduzir o custo de acesso ao espaço e ampliar significativamente a quantidade de equipamentos levados à órbita. A expansão permitiria lançar gerações mais avançadas de satélites Starlink e, futuramente, grandes estruturas de computação orbital.

A geração Starlink V3 é descrita com capacidade muito superior à dos satélites atuais, possibilitando ampliar serviços de banda larga, comunicação direta com celulares, conectividade aérea e marítima e aplicações governamentais.

Outro projeto apresentado é o Starmind, baseado na ideia de instalar centros de processamento de inteligência artificial em órbita. A proposta busca utilizar energia solar e sistemas de dissipação de calor no espaço para reduzir limitações enfrentadas por grandes data centers terrestres.

Os projetos ainda dependem de desafios técnicos, industriais, regulatórios e financeiros. Caso avancem na escala prevista, porém, as tecnologias desenvolvidas podem ter aplicações além dos produtos de Tesla e SpaceX, incluindo conectividade em regiões isoladas, telemedicina, educação remota, agricultura de precisão, resposta a emergências e monitoramento ambiental.

No caso do Roadster, o principal avanço está justamente nessa combinação de áreas. Mais do que aumentar a potência dos motores elétricos, o conceito procura integrar software, aerodinâmica, sistemas de controle e tecnologias de propulsão em uma mesma plataforma.

Tecnologia espacial da SpaceX está cada vez mais integrada à Tesla | Foto: Divulgação

Tecnologia espacial da SpaceX está cada vez mais integrada à Tesla | Foto: Divulgação

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