Karl Landsteiner revolucionou o transfusão de sangue no início do século XX ao identificar os grupos sanguíneos, o que tornou as transfusões mais seguras e eficazes. A descoberta ocorreu após observações sobre aglutininação entre sangue de diferentes pessoas, no início dos anos 1900.
Antes dessa descoberta, transfusões eram arriscadas e, muitas vezes, fatais. Experimentos com sangue de animais e entre humanos mostravam reações adversas graves, levando a proibições em várias nações e a procedimentos restritos.
A chave foi o tipo sanguíneo
Landsteiner, então jovem professor na Universidade de Viena, observou que o sangue poderia reagir de forma diferente quando misturado com soro de outra pessoa. A partir disso, classificou indivíduos em grupos A, B e O, com o grupo AB vindo a seguir. A compatibilidade passou a ser essencial.
Essa classificação possibilitou transfusões seguras entre grupos compatíveis e reduziu drasticamente riscos de reações graves. O avanço também abriu caminho para estudos sobre ABO, Rh e outras características sanguíneas.
Impactos e alcance global
A descoberta mudou práticas médicas, sobretudo durante a Primeira Guerra Mundial, quando as transfusões passaram a ocorrer em grande escala. Salvou vidas em cirurgias com grandes perdas de sangue e apoio a investigações forenses com tipagem sanguínea.
Karl Landsteiner recebeu o Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1930. Posteriormente, a pesquisa levou à identificação de outras dezenas de grupos, com ABO e Rh permanecendo centrais para a compatibilidade.
Doações e acesso à saúde
A doação de sangue continua crucial para tratamentos médicos ao redor do mundo, mas o acesso adequado varia entre países. Em 2023, a OMS registrou 118 milhões de doações anuais, com 40% concentradas em países de alta renda que respondem por 16% da população mundial.
Ainda assim, a distribuição de pacientes transfundidos difere: idosos são o grupo mais atendido nos países ricos, enquanto crianças são predominantes nas economias mais pobres.
Hoje e o legado
O legado de Landsteiner permanece na prática clínica e na pesquisa de hematologia. A identificação de mais de 200 grupos sanguíneos auxilia na prevenção de rejeições e na segurança de transfusões e transplantes.
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