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Perfuração da Margem Equatorial é suspensa por falta de financiamento brasileiro

PBEM-945, primeira expedição 100% brasileira no IODP, fica suspensa por falta de aporte financeiro, atrasando avanços em ciência oceânica e clima

Expedição utilizaria o navio Joides Resolution, referência mundial em pesquisas oceânicas
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A Margem Equatorial Brasileira, que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte, perdeu o financiamento para a perfuração prevista pelo projeto PBEM-945. A suspensão indevida impacta quatro expedições científicas, incluindo a participação brasileira no programa IODP.

O PBEM-945, liderado pelo professor Luigi Jovane, do Instituto Oceanográfico, recebeu aprovação com excelência pelo International Ocean Discovery Program. A expedição pretendia perfurar sedimentos em águas profundas entre Ceará e Potiguar.

O IODP, maior programa internacional de perfuração oceânica, envolve 25 países. A previsão era realizar a primeira expedição 100% brasileira no programa, entre 2022 e 2024, com o navio Joides Resolution.

Para trazer o navio ao Brasil, seria necessário um aporte de cerca de US$ 15 milhões, conforme explica o coordenador Farid Chemale. O custo garantia a participação brasileira nas quatro expedições.

Contexto

Além de sinalizar mudança na relação de financiamento, houve resistência interna: em 2020 a Armada não liberou perfurações na Margem Equatorial; a Capes também não assinou acordo com a NSF para manter pesquisadores no exterior.

Apesar de aprovadas pela Marinha e pelos Ministérios de Minas e Energia e do Meio Ambiente, a equipe não conseguiu apoio aos recursos provenientes dos royalties do petróleo. A suspensão pode atrasar avanços em ciências oceânicas brasileiras.

Jovane ressalta a importância dos resultados esperados para entender biodiversidade, sedimentação da Bacia do Amazonas e a evolução do rio nos últimos milhões de anos, antes de qualquer exploração petrolífera na região.

A equipe busca fontes de financiamento nacionais e internacionais para reativar o projeto. Enquanto isso, especialistas alertam para o risco de o Brasil perder posição em programas de pesquisa de ponta.

Texto adaptado do Core IO.

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