Maria Lúcia Torres, bióloga de 48 anos, compartilhou sua experiência negativa após se submeter a procedimentos de odontologia biológica em Fortaleza, Ceará. Ela relatou a extração de dentes saudáveis e custos elevados, levantando questões sobre a segurança e a ética dessas práticas, que não são reconhecidas pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO).
A bióloga conheceu a odontologia biológica ao ouvir um podcast sobre medicina integrativa. Motivada pela confiança na médica que apresentava o programa, decidiu buscar um dentista que seguisse essa abordagem. O dentista recomendou a remoção de amálgamas e a extração de dentes tratados com canal, resultando em uma conta superior a R$ 7.000. Durante o procedimento, Maria Lúcia percebeu que um dos dentes extraídos estava em boas condições, o que gerou arrependimento.
Profissionais da odontologia biológica frequentemente alegam que problemas de saúde, como depressão e câncer, estão relacionados a tratamentos dentários convencionais. Luiz Rodolfo May, especialista em periodontia, alerta que esses diagnósticos, como a neuralgia induzida por cavitação osteonecrótica (NICO), são raros e muitas vezes mal interpretados. Além disso, a proposta de implantes de zircônia, mais caros que os convencionais, é comum entre esses dentistas.
O CFO considera a odontologia biológica uma pseudociência e já apresentou denúncias à Advocacia-Geral da União. Camilo Netto, docente em odontologia, critica a prática, afirmando que esses profissionais induzem pacientes a procedimentos desnecessários e potencialmente prejudiciais. O CRO-CE reforça que todo tratamento deve ser baseado em evidências científicas e alerta sobre os riscos de práticas não reconhecidas.
A odontologia biológica não é uma especialidade reconhecida e não possui respaldo acadêmico. O CFO e os conselhos regionais de odontologia estão atentos a essas práticas e incentivam denúncias de irregularidades. A segurança e a ética nos tratamentos odontológicos devem ser priorizadas, conforme orientações das autoridades competentes.
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