Indígenas mulheres em idade fértil, da etnia miskitu na Nicarágua, foram expostas a níveis tóxicos de mercúrio. A avaliação, feita por IPEN, envolveu amostras de cabelo de 50 mulheres entre 18 e 44 anos.
As comunidades Li Auhbra e Li Lamn ficam às margens do rio Wangki, na costa norte do Caribe. A região abriga povos indígenas e mineradoras de ouro em pequena escala que usam mercúrio para extrair o metal.
Segundo o relatório, 80% das participantes apresentaram mercúrio acima de 1 ppm, e 98% excederam 0,58 ppm, nível mais protetor proposto. A exposição afeta fetos e pode causar danos neurológicos.
A pesquisa aponta que a maior fonte de contaminação é a cadeia alimentar. O mercúrio chega aos peixes da bacia e, por consequência, à população que depende da pesca.
O estudo associa a contaminação à mineração artesanal de ouro. Mesmo quem não trabalha diretamente com mineração pode se expor pelo contato com familiares ou por morar em áreas poluídas.
A prática de mineração em pequena escala é citada como principal vetor de poluição. O relatório também critica lacunas da Minamata Convention, defendendo alterações para reduzir o abastecimento global de mercúrio.
Lee Bell, assessor técnico da IPEN, afirma que medidas nacionais e internacionais atuais não são eficazes no combate à contaminação por mercúrio na Nicarágua e precisam ser fortalecidas.
Entre na conversa da comunidade