O Banco Europeu de Sêmen (ESB), com sede em Copenhague, exportou sêmen para dezenas de clínicas na Europa e além. Diante de uma mutação rara no gene TP53, ligado ao risco de câncer hereditário, a instituição bloqueou de forma permanente o doador 7069 em 2023. A mutação foi detectada em amostras do ESB após relatos de doenças em crianças concebidas com o sêmen dele.
A investigação acumulou evidências de falhas na comunicação entre bancos, clínicas e famílias. Mesmo após a detecção, várias mães não foram informadas imediatamente sobre o risco à saúde de seus filhos, gerando crises de acompanhamento médico e ansiedade entre famílias afetadas. A falta de registros consolidados complicou a identificação de todas as crianças envolvidas.
Dimensão do problema e números
Ao menos 197 crianças na Europa foram concebidas com o sêmen do doador 7069, segundo a apuração conjunta de DW e parceiras da Rede de Jornalismo Investigativo da EBU. O ESB informou que o total exato não havia sido divulgado, já que envolve dados sensíveis. O banco confirmou que o material foi utilizado em 67 clínicas de 14 países.
Reações, limites e consequências
Críticas recaem sobre a variação de regras entre países, que vão de limites de idade a restrições no número de filhos por doador. Em alguns locais, o número de famílias por doador excedeu limites autodeclarados pelo ESB. Autoridades belgas abriram investigações sobre o caso envolvendo 53 crianças no país.
Respostas institucionais e caminhos futuros
O ESB reconheceu falhas nos contatos com clínicas e famílias, citando sistemas desatualizados e turismo de fertilidade como fatores contribuidores. A instituição afirmou solidariedade às pessoas afetadas e afirmou que trabalha para aprimorar notificações e a gestão de dados.
Voz das famílias e impacto médico
Mães relatam choque ao receber informações sobre a mutação TP53. Uma delas descreveu a necessidade de exames de triagem para a filha, com grave impacto emocional. Médicos ressaltam a importância de vigilância contínua, pois sinais de câncer podem surgir na infância e exigir detecção precoce.
Entre na conversa da comunidade