Diran Apelian, engenheiro metalúrgico e graduado pelo MIT, defendeu a necessidade de projetar materiais e produtos com reutilização integrada desde o início. Em palestra da DMSE no MIT, ele alertou para o crescimento da demanda por metais como cobre, níquel, ferro e manganês, impulsionada pela expansão populacional nas últimas décadas.
Segundo Apelian, o desperdício de recursos esgota reservas e consome energia. Ele citou que chips de computador passaram de 11 elementos em 1980 para 52 hoje, ilustrando a complexidade crescente dos materiais usados no dia a dia e a necessidade de mudanças no design e na cadeia de valor.
O cientista propõe a circularidade de materiais como eixo central, em vez do ciclo tradicional de extrair, processar, usar e descartar. A ideia é manter os minerais oriundos da Terra em circulação, prolongando sua vida útil na economia.
Paralelamente, Apelian apontou caminhos práticos para recuperar valor de resíduos pós-consumo. Entre eles, o processamento de sucata de alumínio com sortimento automatizado, aprendizado de máquina e práticas de fundição mais modernas, para reaplicar em componentes aeroespaciais e estruturas automotivas.
O pesquisador, que também atua como professor na Universidade da Califórnia em Irvine, destacou iniciativas de startups associadas ao Solvus Global, como a Valis Insights, que usa sensores para classificar sucatas com alta precisão. O objetivo é melhorar a qualidade e o desempenho dos materiais reciclados.
Além disso, Apelian mencionou pesquisas sobre reciclagem de baterias de íon de lítio, incluindo um processo co-inventado que gera um subproduto rico em massas negras útil para matérias-primas de novas baterias. Ele mencionou ainda trabalhos sobre recuperação de metais de subprodutos da produção de alumínio e de resíduos mineiros.
Respeito à mudança de paradigma
Na visão do pesquisador, mudanças em modelos de negócios e políticas públicas são essenciais para viabilizar a economia circular. Ele sugeriu, como exemplo, que fabricantes poderiam ser responsabilizados pelo retorno de veículos no fim da vida útil, o que aumentar a incentivos para design com reparo e reutilização.
Durante a fala, estudantes de DMSE comentaram a importância da circularidade. Uma aluna citou a Patagonia como exemplo de empresa que incentiva reparos, reconhecendo o desafio de escalar essas práticas. Outros alunos destacaram a necessidade de ampliar esse movimento.
Apelian encerrou reforçando que o avanço depende de ações concretas em escala. Em suas palavras, o desafio é grande, mas as oportunidades associadas aos problemas de materiais podem orientar pesquisas e inovações para um uso mais eficiente dos recursos.
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