O que aconteceu e quem está envolvido
Em Merced, Califórnia, entre 1990 e 1995, os lagartos Uta stansburiana foram observados por Barry Sinervo e Curtis Lively. Eles identificaram cores distintas nas escamas ao início da reprodução e comportamentos competitivos específicos para cada cor. A prática de jogo seguiu o formato pedra, papel e tesoura entre três variantes.
Os pesquisadores divulgaram, em 1996, um modelo matemático que explicou esse ciclo de vantagens entre as cores. A ideia era mostrar como cada cor vence uma oponente e perde para a outra, mantendo a diversidade da população. O estudo ligou comportamento e genética de forma inovadora para a época.
A origem do mistério e o avanço tecnológico
Durante décadas, a pergunta ficou sem resposta: por que as cores variam tanto entre os lagartos e como isso se reflete nos comportamentos. Sinervo continuou atuando como professor na Universidade da Califórnia em Santa Cruz até falecer em 2021. A explicação genética só ganhou clareza anos depois.
Como o estudo atual resolveu o enigma
Uma pesquisa liderada por Ammon Corl, aluno de Sinervo, estendeu o caminho iniciado há 30 anos. Publicado na Science no início deste ano, o trabalho usou tecnologias de sequenciamento genômico, disponíveis apenas recentemente, para mapear variações entre as cores.
A descoberta central envolve o gene SPR, que regula a produção de pigmentos e neurotransmissores. A função única dessa proteína pode explicar por que uma cor está associada a um conjunto de traços comportamentais, fechando o laço entre cor, comportamento e herança genética.
Entre na conversa da comunidade