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Peritos dizem que alegações de embalagens plásticas recicladas são enganosas

Especialistas dizem que embalagens rotuladas como circulares são, em grande parte, fósseis, prática criticada como greenwashing diante de regulamentação europeia

Manufacturers are promoting so-called sustainable plastics that contain only a tiny amount of waste material.
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A publicidade de embalagens plásticas em várias marcas europeias tem gerado questionamentos sobre a veracidade de afirmações de sustentabilidade. Empresas usam materiais rotulados como circulares e de baixo impacto climático, mas grande parte da composição vem de petróleo. A prática envolve a cadeia de suprimentos da Sabic, unidade petroquímica da Aramco, sediada na Arábia Saudita, maior emissor corporativo de gases de efeito estufa até 2023.

A produção envolve reciclagem química, ou pyrolysis, que transforma resíduos plásticos em insumos reciclados. Contudo, especialistas apontam que esse insumo pode representar no máximo 5% do feedstock, sendo necessário misturá-lo com naphtha virgem para manter as usinas de craqueamento em funcionamento. O restante ainda é derivado de fósseis.

A rotulagem de “reciclado” costuma depender de contabilidade de balanço de massa, prática contestada por analistas. Além disso, há o recurso a “emissões evitadas” ao comparar com a incineração, o que pode reduzir artificialmente as pegadas de carbono associadas. Organizações independentes alertam para o risco de greenwashing.

Quem está envolvido inclui Sabic, parceira de marcas como Kraft Heinz Beanz e Mondelez Philadelphia, além de fornecedores de óleo de pirólise. A Sabic divulgou avaliações de ciclo de vida (LCA), porém críticas surgem sobre a independência dos revisores e sobre a real participação de insumos reciclados no total.

Os reguladores europeus preveem legalizar esse tipo de contabilidade a partir de 2026, com leis similares no Reino Unido previstas para 2027. O objetivo é padronizar rotulagem, mas especialistas dizem que, sem mudanças, o conteúdo reciclado real dificilmente acompanhe as metas anunciadas.

Entre as consequências, há preocupação com o impacto ambiental de todo o processo, que consome energia e gera emissões adicionais. Pesquisadores ressaltam que a percepção de benefícios depende de indicadores reais e não apenas de créditos contábeis ou de números faturados pelas empresas.

Especialistas consultados destacam a necessidade de transparência e de metodologias independentes para confirmar o peso real de materiais reciclados nas embalagens. Temas como confiabilidade de LCAs e a relação entre consumo responsável e práticas de reciclagem continuam sob escrutínio no setor.

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