A equipe do The Picower Institute for Learning and Memory, do MIT, apresentou uma nova leitura sobre como o cérebro se forma na infância. O estudo foca no desenvolvimento da corteza visual em camundongos e mostra que neurônios inibitórios que expressam somatostatina seguem regras próprias para formar sinapses com neurônios excitatórios. O objetivo é entender como a experiência sensorial molda circuitos durante a fase crítica.
Os pesquisadores, liderados por Josiah Boivin e pela professora Elly Nedivi, usaram técnicas genéticas para visualizar conexões entre SST e neurônios excitadores ao longo de dendritos. Com o recurso de expansão de tecido e marcação de proteínas, observaram a formação de botões sinápticos antes, durante e após o período crítico.
O encontro entre SST e neurônios excitadores ganhou clareza com o uso de eMAP, uma técnica que amplia a visão das sinapses. Os resultados indicam que a aparência dos botões SST aumenta logo após a abertura dos olhos e se mantém estável ao longo do período crítico, cobrindo todas as camadas da corteza.
A pesquisa aponta que o SST estabelece uma influência inibitória inicial, independentemente da maturação dos parceiros, o que pode criar a base necessária para que a experiência sensorial refine circuitos. As sinapses SST não passam por uma fase de aperfeiçoamento com igual intensidade às demais.
Os autores destacam que, ao contrário de outras células, a trajetória dos SST permanece invariável frente à privação de estímulo visual, sugerindo um programa genético ou sinal molecular relacionado à idade como determinante. Ao final do período crítico, o incremento da inibição permanece, ajudando a manter o equilíbrio com a excitação.
Além de contribuir para a compreensão do desenvolvimento típico, o estudo abre caminho para comparar modelos de neurodesenvolvimento com distúrbios como autismo ou epilepsia. Técnicas usadas permitem comparar diferentes regiões cerebrais em busca de padrões de conectividade.
Entre na conversa da comunidade