Newborns podem antever o ritmo em peças musicais, segundo estudo divulgado na revista Plos Biology. A pesquisa avaliou atividade cerebral de bebês recém-nascidos para verificar se eles detectam e preveem padrões rítmicos, mas não melódicos, em ambientes de sono.
Os autores, liderados pela pesquisadora Roberta Bianco, associada ao Italian Institute of Technology em Roma, usaram EEG com bebês dormindo. Foram expostas amostras originais de Bach e versões com regras de tempo e altura alteradas.
A equipe comparou as respostas cerebrais a surpresas rítmicas e melódicas, simuladas por modelos computacionais. Os resultados mostraram respostas a surpresas rítmicas apenas nas músicas originais, não às surpresas melódicas.
Segundo Bianco, o ritmo parece depender de habilidades auditivas ancestrais comuns a primatas, enquanto a melodia depende de especializações cerebrais adquiridas após o nascimento. O estudo sugere que o ritmo pode fazer parte do nosso kit biológico.
Impacto e interpretações
Pesquisadores externos destacam a importância de entender como o bebê diferencia padrão e tempo desde o útero. O conjunto de dados reforça a ideia de que percepções rítmicas são mais universais do que as melódicas entre culturas diferentes.
A pesquisa também observa que, quando a música é embaralhada, a atividade cerebral não reflete previsões, reforçando a ideia de que a organização temporal é crucial para a compreensão do ritmo.
Especialistas ressaltam que o ambiente intrauterino, marcado por batimentos cardíacos e movimentos da mãe, pode favorecer o desenvolvimento de senso de tempo. Estudos adicionais devem investigar a exposição pré-natal à música.
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