Dois grupos lidam com imagens mentais diferentes: pessoas com afantasia não veem imagens internas, enquanto aquelas com phantasia visualizam-nas com clareza. A pesquisa recente compara ambos, trazendo luz sobre a natureza da imaginação consciente.
Cientistas revelam que cerca de 4% da população não enxerga imagens internas ou as enxerga de forma muito tênue. O conceito de afantasia surgiu para descrever essa ausência de imagens conscientes, ainda que a percepção de estímulos seja normal em outras áreas. A identificação envolve testes que comparam resposta de olhos a padrões distintos.
O estudo utiliza uma técnica simples: apresentar imagens diferentes para cada olho e observar o que aparece à percepção consciente. Em pessoas com phantasia, a imagem do olho que observa se alterna com a imagem do outro olho. Em afantastas, apenas a imagem externa fica visível. O método facilita a detecção sem depender apenas do relato subjetivo.
Paralelamente, pesquisadores analisaram o cérebro de voluntários com e sem afantasia por ressonância magnética funcional. As áreas responsáveis pela criação de imagens são ativadas de forma similar em ambos os grupos, mas a percepção consciente difere. Para afantastas, a imagem permanece inconsciente, ainda que a atividade cerebral seja semelhante.
Entre artistas visuais, a presença de phantasia é mais frequente, enquanto afantasia é mais comum em atividades que exigem pensamento abstrato. Estudos indicam que pessoas com afantasia tendem a ter mais dificuldade em retratar desenhos exatamente como vistos em uma foto.
Embora se investigue a origem neural da afantasia, não há prejuízos cognitivos comuns entre quem tem a condição e a população em geral. Especialistas destacam que a afantasia faz parte da diversidade humana e, em alguns casos, pode trazer vantagens práticas, como menor exposição involuntária a imagens invasivas.
Mais informações: The people with no mind’s eye, Nature, 2026.
Entre na conversa da comunidade