A pesquisa publicada pela Universidade de Chicago aponta que os primeiros mamíferos já desenvolviam uma forma primitiva de audição bem antes do esperado. O estudo revisita um fóssil de Thrinaxodon liorhinus, animal que lembra uma mistura de raposa com lagarto, de cerca de 250 milhões de anos. A descoberta envolve um tímpano rudimentar preservado no crânio do vertebrado.
A equipe utilizou tomografias computadorizadas para criar modelos 3D da mandíbula e do crânio, preservando detalhes sem danificar o fóssil. Com esse recurso, os pesquisadores simularam a resposta do animal a estímulos sonoros, observando movimento dos ossos.
A análise revelou que o Thrinaxodon possuía uma membrana sobre a parte curva da mandíbula, que funcionava como um tímpano. Essa estrutura permitia captar sons transmitidos pelo ar, indo além da condução óssea tradicionalmente associada a esses fósseis.
Segundo os autores, a membrana era responsável pela maior parte da audição, mesmo na hipótese de coexistir com a condução óssea. A capacidade auditiva estimada para o animal fica entre 38 e 1.243 hertz, faixa próxima de sons baixos e moderados.
A hipótese de uma audição baseada em um tímpano nesse grupo de ancestrais já havia sido proposta na década de 1970, por um paleontólogo da Universidade de Illinois. O estudo atual utiliza avanços tecnológicos para testar e confirmar a ideia de forma mais robusta.
Os resultados ajudam a entender a evolução do ouvido médio nos mamíferos, destacando que mecanismos de detecção sonora por via aérea poderiam já ter emergido milhões de anos antes do que se pensava, contribuindo para a caça, a evasão de predadores e a interação com o ambiente.
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