O chatbot Tá certo isso AI? foi criado por estudantes do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP, em São Carlos. A ferramenta verifica desinformação via WhatsApp e foi vencedora do programa AI4Good, apresentado na Brazil Conference, nos EUA. A apresentação ocorre na 12ª edição do evento, em março, nos campi de Harvard e MIT.
Os autores Cauê Paiva Lira, Luiz Felipe Diniz Costa e Pedro Henrique Ferreira Silva desenvolveram a solução durante o hackathon de 2025 do grupo Raia, da USP. O tema foi soluções para mitigar o impacto das fake news na sociedade, com apenas 10 horas de criação inicial. Cerca de 170 grupos participaram.
Durante seis semanas de aceleração, o projeto recebeu mentoria para aperfeiçoar a arquitetura, a usabilidade e a estratégia de checagem. A melhoria principal foi a inclusão de uma plataforma de analytics, ausente no protótipo do hackathon, que permite acompanhar tendências em tempo real.
Curadoria de fontes confiáveis
O bot passa a checar conteúdos apenas em bases previamente validadas, com fontes institucionais, veículos de referência e plataformas de checagem de fatos. Segundo os estudantes, essa curadoria reduz erros e aumenta a qualidade das respostas, distinguindo-se de soluções que utilizam qualquer conteúdo disponível na internet.
A solução foi uma das três vencedoras do AI4Good, com avaliação baseada no impacto social, maturidade técnica e potencial de escalabilidade. O objetivo é ampliar o alcance, apoiar jornalistas e organizações que lidam com desinformação e testar parcerias para aprimoramento contínuo.
Como o chatbot funciona
O Tá Certo Isso AI? opera inteiramente no WhatsApp, sem necessidade de apps adicionais. No chat privado, o usuário envia conteúdo suspeito para o número do bot e recebe, em poucos segundos, a avaliação, fontes utilizadas e indicações de veracidade. Em grupos, qualquer participante pode marcar o bot para verificação imediata.
Além da checagem, o sistema atua como Plataforma de Analytics, com um painel público no site que mostra tendências e temas recorrentes. Segundo os criadores, isso ajuda a entender o cenário da desinformação no ambiente em tempo real, útil para jornalistas e pesquisadores.
A proposta prioriza usabilidade: o objetivo é tornar a verificação tão simples quanto encaminhar uma mensagem. Os estudantes ressaltam a importância de parcerias com veículos e instituições para avaliação qualificada das análises geradas.
Custos e próximos passos
Manter o bot envolve custos de domínio, infraestrutura e uso de APIs, mantidos com créditos e testes em nuvem. O grupo pretende ampliar o alcance e estruturar parcerias com órgãos públicos e veículos de comunicação, ampliando o impacto social do projeto.
A equipe planeja dar continuidade ao aperfeiçoamento técnico e buscar novas colaborações para sustentar o funcionamento e ampliar a base de usuários. O projeto continua em desenvolvimento, com a expectativa de reconhecimento e apoio adicionais.
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