Apoiar mudanças alimentares tradicionais pode ajudar a enfrentar a epidemia de diabetes tipo 2 no Nepal, onde remédios costumam ser caros. O foco é retornar a pratos como dal bhat, lentilha com arroz, que têm mostrado efeitos promissores em reduzir o quadro na população.
Em Kathmandu, um estudo piloto com 70 pacientes de diabetes de longa data indicou remissão em 43% ao seguir uma dieta tradicional controlada de calorias. Um estudo em andamento envolve 120 pessoas em aldeias e regiões suburbanas, com resultados semelhantes até o momento.
A pesquisa é liderada pelo Departamento de Diabetes da University of Glasgow, em parceria com o Dhulikhel Hospital, no Nepal. A iniciativa busca comprovar se a alimentação local pode prevenir o desenvolvimento da doença em pessoas de alto risco.
A condição é comum no país, com dados indicando que cerca de 20% das pessoas com mais de 40 anos possuem diabetes tipo 2. Em cenários de acesso limitado a medicamentos, a alimentação tem papel relevante na gestão da doença.
A intervenção prioriza padrões alimentares tradicionais, evitando lanches de alto teor de gordura e açúcar de origem ocidental. Participantes receberam instruções de porções e foram incentivados a participar de grupos de apoio.
A equipe também orienta a troca do arroz branco pelo integral para aumentar nutrientes, incluindo a vitamina B1, que influencia o metabolismo de carboidratos. A abordagem comunitária utiliza voluntárias locais para sustentar a prática.
O estudo recebeu apoio financeiro da Howard Foundation, com aporte de aproximadamente 1,78 milhão de libras, permitindo a continuidade do projeto. O objetivo é ampliar materiais educativos sobre os fatores que promovem diabetes.
Especialistas ressaltam que fatores como maior sedentarismo e a disponibilidade de alimentos industrializados contribuem para o aumento de casos. Pesquisadores ressaltam que o modelo pode inspirar políticas de saúde em países vizinhos.
Resultados preliminares reforçam a ideia de que, em Nepal, a mudança para uma dieta tradicional pode ter efeito mais rápido e com menos recursos do que estratégias baseadas apenas em medicamentos. O projeto também visa ampliar conhecimento sobre os determinantes da doença.
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