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Ponto de virada climática: uma década após o Acordo de Paris

Década após o Acordo de Paris, 2025 registra temperatura entre as três mais altas, emissões sobem e degelo ártico se acelera, indicando avanço insuficiente das metas

A man walks at his garden near the coal-fired power plant in Obilic
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O Brasil e o mundo enfrentam sinais cada vez mais firmes de aquecimento. Dez anos após o Acordo de Paris, dados climáticos recentes apontam alta acelerada da temperatura, com 2025 entre os três anos mais quentes já registrados, e episódios de queda de gelo, aquecimento oceânico e elevação do nível do mar se tornando mais comuns.

Mesmo com esforços para reduzir combustíveis fósseis, o mundo não está avançando no ritmo necessário. Relatórios de agências científicas de referência indicam aquecimento acentuado desde meados dos anos 2010, acentuando a distância para as metas climáticas.

Emissões: uma lacuna que se amplia

A Rede Global de Observação da Atmosfera da WMO aponta recordes de CO2, metano e óxido nitroso, impulsionando a curva de temperatura entre 2023 e 2025. Emissões globais de CO2 de combustíveis fósseis devem chegar a 38,1 bilhões de toneladas em 2025.

O Global Carbon Budget estima alta de 1,1% nas emissões de 2026, aumentando as concentrações atmosféricas de CO2 para cerca de 52% acima dos níveis pré-industriais. Praticamente não há espaço para mais 170 bilhões de toneladas de CO2 sem comprometer 1,5°C.

Tratos regionais são divergentes: aumentos esperados na China, Índia, EUA e União Europeia, com queda prevista no Japão. O mapa divulgado mostra as emissões por país em 2024, tanto por produção quanto por consumo.

Temperaturas: uma década de aceleração

O GISS da NASA aponta 2025 a 1,19°C acima da média de 1951-1980, emparelhando 2023 como um dos anos mais quentes já registrados. A WMO indica 2025 a 1,44°C acima dos níveis pré-industriais, posicionando-o entre os três mais quentes de toda a série histórica.

As informações são apresentadas com mapas de anomalias de temperatura superficial em 2025, destacando o ganho térmico global e seus padrões regionais.

Ártico: rápido colapso da calotas de gelo

O Arctic Report Card da NOAA confirma que o período outubro de 2024 a setembro de 2025 foi o mais quente desde 1900, com o Ártico aquecendo mais de duas vezes a velocidade do planeta como um todo. A extensão de gelo marinho atingiu o mínimo de inverno mais baixo já registrado, em março de 2025, em cerca de 14,47 milhões de km².

Mapa de 2015 a 2025 ilustra a redução do gelo ártico ao longo da década, evidenciando vulnerabilidade da região.

Oceanos: calor acumulado e nível do mar em ascensão

Os oceanos absorveram quantidades recordes de calor em 2025, marcando novo máximo de conteúdo de calor na camada superior. O nível do mar continua a subir, com projeção do IPCC de aumento entre 0,20 e 0,29 metro até 2050, em relação ao período 1995-2014.

Mapa mostra algumas das cidades mais expostas ao aumento do nível do mar, reforçando o risco de inundações costeiras e impactos urbanísticos.

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