O recife austral de baleias-francas-meridionais registrou queda na frequência de partos. O estudo envolve instituições australianas, sul-africanas e dos EUA e foi publicado neste mês. A pesquisa acompanhou mais de 1.100 partos de 696 fêmeas na ZEE do Great Australian Bight, na Área Protegida Indígena Yalata.
Entre 1991 e 2024, os cientistas usaram identificação fotográfica para distinguir as baleias por padrões de callosidades. O período analisado mostrou que, desde 2015, o intervalo médio entre nascimentos subiu de 3,4 para 4,1 anos, impactando o crescimento populacional.
A autora principal, Claire Charlton, destaca que metade da variação nos intervalos está associada a condições nos locais de alimentação. O aquecimento do oceano, a redução de gelo e mudanças no padrão de disponibilidade de alimento acompanham o aumento dos intervalos de parto.
As baleias passam o verão na Antártida para se alimentar, e migram no inverno para a costa sul da Austrália, onde dão à luz. A diminuição do gelo antártico reduz o habitat do krill, alimento essencial para a espécie.
Paralelamente, águas de altas latitudes têm aquecido e mostrado menor produtividade. Prevalência de salpas aumenta quando krill e copeópodes diminuem, afetando a nutrição das baleias e o tempo de recuperação pós-natação e lactação.
Proteção e perspectivas
Charlton classifica as baleias-francas-meridionais como “espécie sentinela” de mudanças ambientais. A pesquisa reforça a necessidade de reduzir ameaças como colisões com embarcações, redes de pesca e poluição sonora.
Os autores defendem ampliar áreas protegidas, controlar melhor a pesca de krill na Antártida e manter o monitoramento de longo prazo. O estudo aponta que a taxa reprodutiva desacelerou desde 2016 e influenciará o crescimento populacional local.
Estudos anteriores já indicavam queda na taxa reprodutiva na África do Sul e Argentina. A relação entre mudanças climáticas e disponibilidade de alimento é destacada como fator-chave para o futuro da espécie.
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