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Pesquisadora de polilaminina rebate críticas sobre associação à cruz

Pesquisadora afirma separação entre ciência e fé ao discutir polilaminina, molécula em estudo clínico para recuperar movimentos após lesões medulares

"Ciência não é tudo": pesquisadora da polilaminina rebate críticas por associação à cruz
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Tatiana Coelho de Sampaio, bioquímica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), defende a relação entre a polilaminina e questões religiosas que cercam sua pesquisa. Em participação no programa Roda Viva, a pesquisadora abordou críticas sobre a associação da molécula com símbolos religiosos.

Durante a entrevista, o tema central foi a repercussão nas redes sociais ligada ao formato da laminina, base da polilaminina, que alguns associaram a uma cruz. O jornalista questionou se a proximidade entre ciência e fé não seria problemática para a pesquisa.

A pesquisadora reiterou que a laminina naturalmente tem formato de cruz e que isso é um fato observável. Ela pediu respeito à diversidade de valores de pessoas religiosas, sem julgar a legitimidade da interpretação simbólica.

Separação entre ciência e fé

Coelho de Sampaio destacou que é capaz de separar os domínios científico e religioso em sua prática. Ela afirmou possuir treinamento técnico e agir dentro dos limites da ciência, sem confundir ambos os mundos.

A pesquisadora reforçou que sua identidade profissional não esgota sua experiência humana. Segundo ela, os limites entre ciência e experiência pessoal não são os mesmos, o que permite alternar entre as visões de cientista e de indivíduo.

Para Tatiana, a ciência não ocupa o topo de uma hierarquia de valores. Ela citou que pessoas podem realizar ações significativas além da pesquisa científica.

Sobre a polilaminina e seus impactos

A polilaminina é uma versão sintética derivada da laminina, proteína presente no desenvolvimento embrionário do sistema nervoso. A molécula busca estimular a reconexão de fibras nervosas após traumas na medula.

Em estudo com oito pacientes com lesões medulares graves, seis apresentaram recuperação parcial de movimentos e um recuperou a capacidade de andar. Os resultados indicam potencial terapêutico ainda em fase experimental.

Atualmente, a polilaminina segue em estudos clínicos, com avaliação regulatória pela Anvisa em andamento. A pesquisa é apresentada pela equipe da UFRJ e acompanha o protocolo experimental em curso.

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