O estudo aponta que a preferência de alguns mosquitos pelo sangue humano surgiu há cerca de 2 milhões de anos, associada à migração do Homo erectus. A mudança é marcada entre 2,9 milhões e 1,6 milhão de anos atrás, em ambientes onde humanos e mosquitos conviveram.
Os mosquitos são vetores de doenças como malária, dengue e chikungunya. Em 2022, foram registradas mais de 600 mil mortes apenas por malária, entre as mais graves implicações da violência dos mosquitos sobre a saúde humana.
Do universo de quase 3.500 espécies, menos de 10% carregam doenças para humanos. Um grupo faturmente relevante são 20 espécies do gênero Anopheles, que se mostrou mais propenso a sugar sangue humano do que outros primatas.
Origens evolutivas e convivência com humanos
A evolução do paladar por sangue humano envolveu mudanças genéticas ligadas ao olfato, sugerindo convivência prolongada entre humanos e mosquitos da região naquela época. A pesquisa analisou o DNA de 40 mosquitos de 11 espécies do grupo Leucosphyrus.
Os autores apontam que esse encontro entre humanos e mosquitos ocorreu em grande escala, o que favoreceu adaptações que levaram ao consumo de sangue humano. A datação coincide com fósseis humanos encontrados na região que hoje integra a Ásia.
Expansão do conhecimento arqueológico e desdobramentos
Além de compreender a origem do paladar, o estudo oferece evidências sobre a migração humana para além da África. A datação de fósseis na China sugere presença humana de pelo menos 1,77 milhão de anos no continente.
Nos últimos 10 mil anos, outras espécies, como Aedes aegypti, passaram a predominar em áreas desmatadas, aumentando a preferência por sangue humano frente à redução de animais. Essa mudança continua em curso.
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