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Engenheira de prédios altos admite medo de alturas

Engenheira de arranha-céus com medo de altura comanda projetos de torres de alto nível, incluindo a Senna Tower, de 550 metros

A engenheira Stéphane Domeneghini, especializada em prédios altos, entre eles o One Tower, com 290 metros de altura (ao fundo)
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Em casa, subir uma simples escada já provoca vertigem na engenheira Stéphane Domeneghini. No alto dos andaimes, porém, ela se transforma: o medo some e a caminhada fica segura, presa apenas a um cinto de proteção. Essa transição ocorre quando ela veste botas, capacete e inicia o trabalho em alturas extremas.

Stéphane é diretora executiva da Talls Solutions, empresa que oferece consultoria técnica para projetos de alta complexidade, incluindo arranha-céus. Ao longo da carreira, participou de mais de 200 prédios, entre eles obras com dezenas de andares e valores bilionários, como o Senna Tower, em Balneário Camboriú.

Origem e influências

Nascida em Cerejeiras, Rondônia, filha de um mecânico e de uma dona de casa, Stéphane cresceu em meio a dificuldades energéticas. A família voltou ao Rio Grande do Sul, onde o pai recomeçou abrindo um ferro-velho. Essa trajetória moldou a visão de mundo da técnica.

Desde cedo, a educação pública e o apoio da mãe foram determinantes. A avó paterna incentivou o interesse por história e engenharia, e um pacto de melhorar na matemática virou motor da sua formação. Acesso à universidade veio via bolsa do Prouni.

Caminho para os arranha-céus

Ainda na faculdade, a curiosidade por construções altas a levou a Balneário Camboriú. A primeira oportunidade surgiu na Embraed, onde iniciou estágio e se destacou. Depois, migrou para a FG Empreendimentos, companhia que planeja alguns dos edifícios mais altos do Brasil.

A atuação da profissional envolve avaliações dinâmicas de estruturas para ventos e movimentação de massas, além de cálculos que vão além da estática tradicional. Projetos como Epic Tower, Boreal Tower e One Tower passaram por sua supervisão técnica.

Reconhecimento internacional

Em 2024, durante o congresso do CTBUH, Stéphane atuou como palestrante e jurada. No evento, em Londres e Paris, apresentou cinco anos de estudos sobre o Senna Tower e destacou inovações em fundações para arranha-céus. Também integrou o júri de premiação das Américas.

Desafios e espaço na engenharia

Apesar de representar 20% da força de trabalho na engenharia no Brasil, as mulheres ainda enfrentam resistência em áreas técnicas. Stéphane relata episódios de machismo em canteiros, que superou com foco nos estudos e na credibilidade técnica.

Hoje gerenciando equipes globais, a engenheira mantém o foco em projetos de grande complexidade. A trajetória mostra como uma carreira dedicada e técnica rigorosa pode romper barreiras, mesmo em um setor historicamente masculino.

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