O estudo apresenta uma intervenção inovadora na Amazônia peruana para reconhecer como espécies arbóreas utilizam pontes suspensas conectando copas de árvores. Pesquisadores instalaram pontes de canopy com redes, cordas grossas e plataformas, além de câmeras de captura ao longo de 21 dias para monitorar movimentos de animais.
A pesquisa foi realizada no ACTS Field Station, dentro da Reserva Biológica Napo-Sucusari, próximo a Iquitos, no Loreto. Os cientistas Saxon Justin Santiago e Lindsey Swierk, da State University of New York em Binghamton, lideraram o trabalho, publicado na revista Neotropical Biology and Conservation em 2025.
As espécies acompanhadas incluíram o preguiçoso-de-dois-dedos Linnaeus (Choloepus didactylus), macacos-peixe (Pithecia spp.) e o porco-espinho-ruivo-dos-olhos longos (Coendou longicaudatus). A aproximação por meio de plataformas elevadas visa facilitar deslocamentos entre copas, reduzindo riscos de mortalidade e promovendo conectividade florestal.
Os pesquisadores destacam que compreender a utilização de pontes em florestas contínuas é pré-requisito para estratégias efetivas de conectividade em áreas fragmentadas, onde riscos ambientais são maiores. O objetivo é orientar ações de mitigação e planejamento de corredores biológicos.
Comentários de especialistas reforçam o potencial das pontes artificiais para espécies arbóreas. Uma técnica que, segundo os pesquisadores, pode ser replicada em diferentes contextos sul-americanos, com custos relativamente baixos em comparação a outras soluções.
A pesquisadora Fernanda Abra, da Smithsonian, avaliou que o estudo traz referências científicas importantes para futuras instalações e monitoramentos. Embora não tenha participado da pesquisa, Abra apontou a surpresa com o registro do uso das pontes por macacos-peixe, considerados sensíveis e pouco observados explorando estruturas artificiais.
Abra, que ganhou o prêmio Whitley em 2024 por trabalhos com bridges na Amazônia brasileira, ressaltou a importância de entender diferentes desenhos e materiais de pontes para acomodar modos de locomção variados, desde braquiação até saltos entre galhos.
Desafios históricos à reconexão da floresta permanecem. Mortes diretas de veículos e o efeito de barreira, que isola populações, elevam a necessidade de estratégias de conectividade. O DNIT tem sugerido transformar modelos de pontes-canopy em padrões nacionais.
Especialistas alertam que, no Brasil, a combinação de biodiversidade rica e rede rodoviária extensa aumenta a urgência de soluções simples, replicáveis e de baixo custo para reduzir mortalidade e manter fluxo gênico entre populações. Estudos regionais já mostram ganhos com pontes de canopy em áreas preservadas.
Pesquisas associadas, como a de Ana Rubia Rossi em Bahia, destacam a instalação de pontes em estradas que cortam áreas de cultivo de cacau. O monitoramento envolve registros sonoros e visuais para indicar pontos de ligação arbórea, com resultados promissores para espécies como o mico-leão-dourado e o mico-estrela.
A região de Ilhéus, Bahia, é citada como exemplo, com planos de ampliar pontes após a construção de um novo porto. A experiência de Rossi mostra que intervenções rápidas podem salvar vidas de primatas quando a infraestrutura muda repentinamente, reforçando a necessidade de ações coordenadas.
A pesquisa sobre pontes de canopy permanece em desenvolvimento, com foco na aplicabilidade prática e na ampliação de redes de proteção para fauna arbórea diante de rodovias, ferrovias e linhas de transmissão. Os resultados apontam para caminhos eficazes de conservação e conectividade florestal.
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