O trabalho conjunto da FAO e da IAEA aponta fraude no setor de pesca e aquicultura em escala global. O relatório, divulgado no dia 10 de fevereiro, estima que até 20% dos produtos aquáticos sejam mal rotulados ou fraudados, com riscos ambientais e à saúde.
A apresentação ocorreu durante o World Seafood Congress, em Chennai, entre 9 e 11 de fevereiro. O estudo atua como alerta para governos e a indústria cobra melhores sistemas de rastreabilidade e métodos de detecção avançados.
O documento baseia-se em pesquisas acadêmicas e de ONGs, citando um índice de fraude de 20,6% em 2016 para o setor, superior ao de carnes e frutas/verduras. Estudos da Oceana também apontam cerca de 20% de amostras incorretamente rotuladas.
Entre as formas mais comuns de fraude está a identificação incorreta da espécie, ocorrendo no varejo e ao longo da cadeia. Outros golpes incluem origem, certificação ambiental e adulteração para alterar peso ou aparência.
O relatório destaca a complexidade da indústria: mais de 12 mil espécies aquáticas circulam no comércio, com cadeias de suprimento por vezes pouco transparentes. Fraudes aparecem com frequência em restaurantes e em produtos processados.
Esther Garrido Gamarro, da FAO, disse por e-mail que produtos processados facilitam ocultação da identidade da espécie, especialmente peixe em filés, enlatados ou moídos.
As consequências vão desde impactos descontrolados sobre espécies ameaçadas até sobrepesca. A fraude favorece a pesca ilegal, não reportada e não regulamentada e reduz a biodiversidade marinha.
Também há impactos à saúde pública: espécies substitutas costumam oferecer menor benefício nutricional; alguns métodos ilícitos envolvem antimicrobianos usados na aquicultura, com regulações diversas ao redor do mundo.
Max Valentine, da Oceana, ressalta que mudanças na rastreabilidade são centrais para o avanço. Tecnologias sozinhas não bastam; a entrada de dados precisa ser confiável e obrigatória.
Entre as medidas citadas, o relatório sugere melhor legislação nacional, padrões internacionais e auditorias para assegurar produtos e práticas aceitáveis, com maior transparência no comércio.
O texto cita ainda programas de rastreabilidade como referência, como o Seafood Import Monitoring Program dos EUA, criado em 2016 e reforçado em 2018, para monitorar parte dos frutos do mar importados.
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