Recentemente, um estudo encomendado pelo Royal College of Psychiatrists e conduzido pela YouGov mostrou que apenas 28% das mulheres do Reino Unido sabem que a menopausa pode desencadear transtornos mentais, como depressão ou ansiedade. A pesquisa aponta lacunas significativas de conhecimento que prejudicam o acesso a cuidados.
Segundo o relatório do RCPsych, essa falta de entendimento contribui para que muitas mulheres deixem de buscar tratamento adequado durante a transição hormonal. A percepção de que sintomas emocionais são apenas “stress” ou cansaço atrasa diagnósticos e intervenções.
A pesquisa ressalta ainda que boa parte dos sintomas começa antes da menopausa em si, na fase de perimenopausa, quando hormônios variam de forma imprevisível. Mudanças no estrogênio e na progesterona afetam humor, sono e bem‑estar geral.
Dados da pesquisa e contextos europeus
Um estudo europeu mais amplo aponta que 55% das mulheres relatam sintomas psicológicos como nervosismo, ansiedade ou depressão durante a transição. Em particular, na Suécia, 60% das mulheres relatam sintomas moderados ou graves, e na Alemanha um terço apresenta depressão durante a menopausa.
Outras pesquisas associam a perimenopausa a um aumento no risco de depressão maior em primeiras crises e a maiores chances de episódios maníacos em mulheres com transtorno bipolar. Em nível clínico, dados mostram que cerca de 16,6% de mulheres podem ter pensamentos suicidas nessa fase, ainda não identificados ou tratados de forma adequada.
Experiências que embasam políticas públicas
O estudo de Liverpool John Moores University e Newson Clinic, de 2026, indica que muitas mulheres passam anos com diagnóstico inadequado, sem tratamento eficaz para sintomas hormonais. Profissional da área de prevenção de suicídio enfatiza falhas em ferramentas de avaliação que não capturam drivers hormonais.
Sonja Rincón, fundadora da Menotracker, compartilha sua experiência pessoal, destacando diagnóstico inicial incorreto como depressão e atraso no reconhecimento da perimenopausa. Ela relata que, após investigar, descobriu a relação hormonal e passou a buscar terapia hormonal de reposição.
Impacto no mercado de trabalho e caminhos futuros
Estudos internacionais apontam discriminação no ambiente de trabalho e impactos na produtividade entre mulheres que passam pela menopausa. Diante disso, há anúncio de ações para ampliar educação sobre menopausa em formação médica e políticas de apoio no trabalho.
A Royal College of Psychiatrists recomenda ampliar serviços de saúde, incluir ensino obrigatório sobre menopausa e saúde mental na formação médica e psiquiátrica, além de políticas laborais que reconheçam o tema e promovam bem‑estar emocional das trabalhadoras.
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