Os neandertais podem ter usado alcatrão de bétula, uma substância pegajosa extraída da casca de árvores, com fins medicinais e para tratar feridas. A hipótese vem de estudo publicado na PLOS One.
A equipe liderada pelo arqueólogo Tjaark Siemssen, da Universidade de Oxford, produziu alcatrão em laboratório usando métodos similares aos que os neandertais teriam à disposição. Casca de bétula foi coletada em espécies associadas a sítios arqueológicos.
Três técnicas foram recriadas: cavar um buraco, aquecer o material e coletar o resíduo; queimar casca sob uma pedra; e aquecer em recipiente metálico, inspirado em técnicas indígenas. O objetivo foi simular reutilização antiga.
Os pesquisadores afirmam que o processo envolve etapas desafiadoras e sujas, com dificuldade de remover o alcatrão das mãos após o manuseio junto ao fogo. O relato é apresentado em comunicado de imprensa.
Ao testar o material contra bactérias, quase todas as amostras inibiram o crescimento de Staphylococcus aureus, comum em infecções de pele. O melhor resultado ocorreu com alcatrão da bétula-prateada pelo método mais elaborado.
A hipótese é que as propriedades antimicrobianas não dependem de técnicas sofisticadas. Mesmo ferramentas rudimentares poderiam ter produzido uma substância capaz de evitar infecções em feridas.
O estudo se insere em um quadro mais amplo: evidências sugerem que neandertais tinham habilidades complexas, fabricavam ferramentas e cuidavam de doentes. Novos indícios apontam uso de plantas com efeito terapêutico.
Ainda há ceticismo entre alguns especialistas. A arqueóloga Karen Hardy, da Universidade de Glasgow, diz que é preciso demonstrar vantagem do alcatrão frente a opções naturais já disponíveis.
Mesmo assim, os autores destacam o potencial de conhecer práticas medicinais antigas. A paleofarmacologia pode ajudar a entender remédios que hoje são estudados por pesquisadores.
Entre na conversa da comunidade