Beavers transformam rios em sumidouros de carbono, aponta estudo internacional que avaliou um trecho de 800 metros no norte da Suíça. Represas construídas pelos castores elevam áreas alagadas, reduzem o fluxo de água e permitem o acúmulo de matéria orgânica por décadas. O trabalho ficou conhecido após publicação na Communications Earth & Environment.
A pesquisa, liderada pela Universidade de Birmingham e realizada junto a universidades parceiras, analisou o balanço de carbono do ecossistema. Os cientistas observaram a transição de uma planície aluvial repleta de árvores para um ambiente com barragens, áreas encharcadas e sedimentos acumulados.
Antes da presença dos castores, em 2010, o local era dominado por vegetação. Com as barragens, houve queda no escoamento, maior sedimentação e surgimento de novas plantas menores. Esse conjunto de mudanças alterou o funcionamento do rio.
Balanço de carbono e resultados
O estudo calculou o fluxo de carbono ao longo do ano e concluiu que o sistema passou a armazenar carbono de forma contínua. O pântano criado pode sequestrar entre 98 e 133 toneladas por ano, equivalente a emissões de até 1.129 barris de petróleo.
Ao longo de 13 anos, o local acumulou aproximadamente 1.194 toneladas de carbono. O processo envolve captura de carbono em sedimentos, vegetação e madeira morta, além de menor emissão de metano no ambiente estudado.
Os sedimentos apresentam concentrações significativamente maiores de carbono inorgânico e orgânico do que solos florestais próximos. A madeira morta nas margens contribui com quase metade do carbono armazenado a longo prazo.
Mecanismos climáticos são influenciados pela sazonalidade. No verão, a exposição de parte do sedimento pode elevarem temporariamente as emissões de dióxido de carbono, mas o balanço anual permanece de captura.
Implicações e cautelas
Os autores ressaltam que os castores atuam como engenheiros de ecossistemas ao remodelar paisagens fluviais e movimentar o carbono nelas. A projeção é de que regiões suíças com potencial para a espécie possam compensar entre 1,2% e 1,8% das emissões de carbono do país.
A pesquisa representa a primeira estimativa abrangente desse tipo numa paisagem europeia moldada por castores. No entanto, os autores destacam que os resultados podem variar conforme clima, geologia e tipo de vegetação de outras áreas.
A importância prática do estudo está na demonstração de que soluções naturais podem complementar estratégias de combate às mudanças climáticas. A restauração de habitats adequados pode favorecer o sequestro de carbono sem custos elevados de tecnologia.
Perspectivas futuras
Os pesquisadores destacam a recuperação das populações de castores como fator relevante. A presença renovada de castores em diversas regiões sugere potencial para impactos ecológicos positivos amplos.
Os autores concluem que usar processos naturais desde o início pode ser ecologicamente adequado e economicamente sensato, reforçando a ideia de que a natureza pode atuar como aliada na luta contra o aquecimento global.
Entre na conversa da comunidade