Os cães podem ter sido companheiros dos humanos há muito mais tempo do que se pensava. Um cão datado de 15.800 anos foi identifcado a partir de ossos encontrados no sítio arqueológico de Pinarbasi, na Turquia, associado a caçadores-coletores do período. A descoberta é mais antiga do que o registro canino mais antigo confirmado anteriormente em cerca de 5.000 anos.
A pesquisa, publicada em dois artigos na revista Nature, indica que cães já estavam amplamente distribuídos pela Eurásia Ocidental há cerca de 18.000 anos e diferiam geneticamente dos lobos. Os trabalhos envolvem a equipe de Anders Bergström, da Universidade de East Anglia, e o Laboratório de Genômica Antiga do Instituto Francis Crick, em Londres.
No estudo, foram analisados 216 restos mortais antigos, com idades entre 46.000 e 2.000 anos, de diversos países europeus e da Turquia. Em conjunto, foram identificados 46 cães e 95 lobos, destacando a dificuldade de distinguir as espécies apenas por osso. O cão mais antigo identificado pela equipe em território europeu data de 14.200 anos.
Os achados de Pinarbasi mostram que cães já eram valorizados por caçadores-coletores, com sepulturas que incluem cães enterrados ao lado de humanos. Há evidências de alimentação com peixe em cães do sítio turco. Em contrapartida, o registro da Caverna de Gough, na Inglaterra, aponta vestígios de manipulação de restos humanos após a morte, com sinais de presença canina associada.
Entre as implicações, os pesquisadores correlacionam cães antigos com raças que hoje incluem combinações ancestrais influentes na Europa e no Oriente Médio, como boxers e salukis, e sugerem que os cães primitivos tinham funções variadas, desde companhia até apoio na caça ou guarda.
As hipóteses sobre quando, onde e por que a domesticação ocorreu ainda não são definitivas. Os autores destacam que a divergência entre cães e lobos ocorreu possivelmente antes do último máximo glacial, mas ressaltam incertezas sobre o momento exato da domesticação.
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