O MIT Media Lab publicou em 2025 um estudo conhecida como Your Brain on ChatGPT, que introduz o conceito de dívida cognitiva. A pesquisa investiga como o uso de inteligência artificial pode influenciar a ativação cerebral durante atividades mentais.
A CNN Brasil ouviu neurologistas para entender os possíveis riscos da IA. O estudo envolveu 54 participantes, divididos em três grupos: raciocínio apenas, uso da internet e uso de IA. Ao final, houve diferença significativa na conectividade cerebral entre quem recorreu à IA e quem não utilizou apoio externo.
Como o estudo foi conduzido
O experimento foi descrito pela neurologista Juliana Khouri como um grupo que resolveu problemas apenas com raciocínio, outro que contou com a internet e um terceiro que utilizou IA. O resultado apontou menor ativação cerebral no grupo com IA, sugerindo economia de energia, porém menor exercício cognitivo.
Hugo Dória, neurocirurgião, reforçou que esses resultados indicam menor ativação em áreas ligadas à memória, atenção e pensamento crítico. Segundo ele, isso não configura dano cerebral, mas um possível processo de redução do esforço necessário para tarefas cognitivas.
Interpretações e ressalvas
Os especialistas destacam que o problema não é a IA em si, mas a forma de uso. O fenômeno conhecido como cognitive offloading envolve terceirização de funções como pensar e estruturar ideias, o que pode reduzir a ativação de redes neurais ao longo do tempo.
Estudos recentes associam dependência precoce a impactos na formação de memória e na capacidade de síntese de ideias. Para o neurocientista, o cérebro responde a estímulos: mais demanda cognitiva fortalece circuitos, enquanto menos esforço pode empobrecer o processo de aprendizagem.
Recomendações práticas
Especialistas sugerem que a IA seja usada como suporte, não como substituição do pensamento. Em prática, recomenda-se resolver o problema inicialmente sem auxílio, usar a IA apenas para refinar respostas e validar ou reinterpretar o que foi obtido.
O objetivo é manter o cérebro ativo por meio de raciocínio, escrita e organização de ideias sem depender integralmente da tecnologia. Diversificar estímulos cognitivos, como leitura aprofundada, também é indicado para preservar a memória e o senso crítico.
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