O estudo de fósseis e DNA antigo reconstituiu a história dos cães domésticos, mostrando que eles surgiram pelo menos 5 mil anos antes do que se pensava. Os trabalhos, publicados na Nature, apontam que cães já existiam há cerca de 15.800 anos na Turquia e na Europa.
Pesquisadores de Oxford, York e LMU Munique lideraram as análises, que usaram técnicas modernas para extrair DNA de ossos bem preservados. A descoberta principal vem da Caverna de Gough, na Inglaterra, onde um osso mostrou-se mais próximo de cão do que de lobo.
Evidências antigas
Casos em Pınarbaşı, na Turquia, alemães, italianos e suíços indicam cães paleolíticos em pelo menos cinco sítios. Pelos menos 14 mil anos, cães já estavam distribuídos pela Eurásia, com pouca variação genética entre eles.
Essa uniformidade sugere dispersão rápida após a domesticação. Os cães teriam sido trocados entre grupos humanos diferentes, como ferramentas e outras inovações. As descobertas apontam para um processo de domesticação único, possivelmente na Ásia.
Métodos e precisão
Estudos usaram captura por hibridização para isolar DNA canino entre DNA de bactérias presentes nos fósseis. Esse método aumentou a precisão ao classificar 141 amostras como cães ou lobos, reduzindo erros comuns em ossos muito antigos.
Um fóssil belga de 13.700 anos, antes visto como cão, foi reclassificado como lobo. Já o exemplar suíço de 14.200 anos confirma um dos cães mais antigos identificados. Esses dados ajudam a traçar a origem dos cães europeus.
Interação homem-cão
Análises químicas indicam que, na Turquia, humanos alimentavam cães com peixe, igual aos hábitos dos próprios humanos. Em outras regiões, dietas eram semelhantes, reforçando convivência próxima entre espécies.
Casos de enterros de filhotes sobre as pernas de humanos em Pınarbaşı sugerem vínculo emocional intenso. Em Gough, há indícios de manipulação pós-morte, semelhantes a rituais humanos da época. Em alguns sítios, cães podem ter sido consumidos após a morte.
Contribuições para a história
Os fósseis mostram cães presentes em contextos de culturas distintas do Paleolítico, como magdaleniana e epigravetiana, além de grupos da Anatólia. O papel inicial dos cães ainda não é claro; podem ter auxiliado na caça, alerta ou cumprido várias funções.
Com a expansão da agricultura na Europa, cerca de 10 mil anos atrás, cães de caçadores-coletores contribuíram para a genética dos cães posteriores. Hoje, muitas raças europeias herdaram metade de sua ancestralidade desses cães pré-históricos.
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