O uso de implantes minúsculos para monitorar a atividade cerebral ganhou um marco com o desenvolvimento do MOTE, desenvolvido por pesquisadores da Universidade Cornell em parceria com a Universidade Tecnológica de Nanyang. O dispositivo lê sinais do cérebro de animais vivos sem fios, mantendo funcionamento contínuo por mais de um ano. A pesquisa foi publicada na Nature Electronics em 2025.
O MOTE é do tamanho de menos de um grão de sal e converte sinais elétricos cerebrais em pulsos de luz, transmitidos sem cabos. O estudo destaca que, apesar do tamanho reduzido, o dispositivo oferece dados detalhados e pode ampliar o monitoramento do sistema nervoso. O objetivo é facilitar aplicações médicas e de pesquisa.
O MOTE
O implante mede 0,3 mm de comprimento por 0,07 mm de largura. Usa um diodo de arseneto de alumínio e gálio para captar energia da luz e enviar sinais. Um amplificador de baixo ruído aumenta a precisão da leitura, enquanto um codificador óptico transmite dados de forma eficiente.
A leitura do cérebro ocorre com luz vermelha e infravermelha que atravessa tecidos sem causar danos. A fonte de luz alimenta o MOTE, que gera pulsos luminosos para serem captados por equipamentos externos. A técnica permite monitoramento durante exames de ressonância magnética.
Potenciais aplicações
Além do cérebro, o MOTE pode ser adaptado para a medula espinhal, placas cranianas artificiais e interfaces cérebro-computador. Essas possibilidades visam apoiar próteses e reabilitação neural, com dispositivos discretos, duráveis e biocompatíveis. A pesquisa demonstra avanços em microeletrônica e optoeletrônica para neurociência.
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