O frio pode representar um risco cardiovascular significativo. Um estudo publicado no American Journal of Preventive Cardiology mostra que temperaturas baixas elevam mortes por doenças cardíacas, incluindo infartos e AVCs, especialmente entre grupos vulneráveis. A pesquisa analisa variações de temperatura e mortalidade nos EUA ao longo de duas décadas.
Conduzido sob a liderança de Pedro Rafael Vieira de Oliveira Salerno, o estudo examinou dados de 819 localidades. A análise abrangeu aproximadamente 80% da população adulta dos EUA entre 2000 e 2020. Os resultados apontam relação clara entre o frio e o aumento de óbitos cardiovasculares.
Os autores destacam que existe uma faixa de temperatura considerada mais segura, em torno de 23°C, onde a mortalidade é menor. Quando o termômetro se afasta desse ponto, o risco aumenta, seguindo uma curva em “U” assimétrica, com impacto maior no frio.
Metodologia e dados
A pesquisa utilizou dados populacionais de várias regiões e avaliou a relação entre variações térmicas e mortalidade cardiovascular ao longo de 20 anos. Foi considerado o conjunto da população adulta estudada, com foco em eventos graves como infarto e AVC.
Resultados principais
Ao todo, cerca de 40.000 mortes cardiovasculares adicionais por ano foram associadas ao frio, representando 6,3% de todas as mortes cardíacas anuais. Em contrapartida, o calor esteve associado a aproximadamente 2.000 mortes extras por ano. Ao longo de duas décadas, isso soma cerca de 800.000 mortes associadas ao frio.
Fatores de risco e população
O frio estimula vasoconstrição, elevação da pressão arterial e inflamação, aumentando a carga sobre o sistema cardiovascular. Pessoas com diabetes, insuficiência cardíaca ou doença renal apresentam maior sensibilidade aos efeitos do frio, assim como idosos e indivíduos com histórico cardiovascular.
Implicações para saúde pública
Os resultados sugerem que políticas de saúde pública devem incluir o frio extremo em planejamento de resposta sazonal. Medidas recomendadas incluem planejamento hospitalar para picos de internação no inverno, monitoramento de grupos de risco e sistemas de alerta climáticos voltados à saúde.
Entre na conversa da comunidade