O projeto Corridors of Life, liderado pelo Instituto de Ecologia e Pesquisas (IPÊ), avança na restauração de trechos da Mata Atlântica no Pontal do Paranapanema, região oeste de São Paulo. Agricultores e famílias de reforma agrária plantam espécies nativas para formar corredores ecológicos que conectem áreas protegidas, buscando recompor a cobertura vegetal.
Haroldo Gomes, biólogo e coordenador de campo do projeto, participa da vacinação florestal com mudas de ipê, arueira e guarantã. A iniciativa envolve famílias de assentamentos que já somam mais de 6 mil hectares restaurados desde 2002, com cerca de 10 milhões de árvores plantadas.
O movimento é feito a partir de uma estratégia de mapeamento territorial chamada Mapa dos Sonhos, que identifica áreas prioritárias para restauração e criação de corredores entre APPs e parques, conectando comunidades rurais a unidades de conservação.
Historicamente, a região registrou desmatamento acentuado no início do século XX, impulsionado por atividades de café, madeira e expansão de estradas de ferro. Hoje, a recuperação florestal é vista como caminho para recuperação ambiental e econômica.
Ações locais envolvem 45 proprietários rurais que participam do projeto, restaurando áreas previstas pelo Código Florestal. Em paralelo, 21 startups rurais atuam no plantio e manutenção, ampliando a oferta de empregos e a capacitação em agroecologia e reflorestamento.
Entre os impactos, a recuperação de fragmentos florestais aumenta a diversidade específica e favorece aves, mamíferos e polinizadores, como abelhas sem ferrão. A jaguar voltou a ser avistada em áreas restauradas pela primeira vez recentemente.
Benefícios sociais acompanham os ganhos ambientais: centenas de trabalhadores, além de famílias de assentados, passaram a atuar em nurserias, manejo agrícola e serviços de restauração. Projetos agroflorestais também ganham espaço, com cafeicultura associada à floresta.
Progresso e metas
A atuação já cobre milhares de hectares e envolve redes de produtores locais. A meta para 2041 é restaurar 75 mil hectares em 30 municípios paulistas, conectando áreas de conservação e fortalecendo a resiliência do ecossistema local. Estimativas apontam ainda possível recuperação de até 250 mil hectares degradados.
O andamento do projeto também depende de dados de campo, monitoramento ambiental e cooperação entre entidades públicas, comunitárias e o setor privado. A expectativa é que o trabalho continue ampliando empregos, renda local e a cobertura vegetal na região.
Desafios históricos
As ocupações e o histórico de desmatamento influenciaram a paisagem atual, reforçando a necessidade de restauração contínua. As comunidades rurais relatam que a região já foi marcada pela pressão por terras e pela expansão de atividades agropecuárias, o que tornou essencial o envolvimento direto das famílias na recuperação ambiental.
A experiência piloto demonstra que, com planejamento e participação comunitária, é possível conciliar conservação com desenvolvimento local. O objetivo é manter o impulso, ampliar a participação de novos produtores e consolidar os corredores de vida entre áreas protegidas.
Benefícios para a fauna e a biodiversidade
As áreas reflorestadas já exibem maior conectividade entre fragmentos, facilitando o deslocamento de espécies e a dispersão de sementes. Em áreas restauradas, foram registrados 174 tipos de aves e 29 mamíferos, incluindo espécies ameaçadas, como o tamarim-de-lua.
A presença de áreas de mata nativa favorece a reprodução de polinizadores e a biodiversidade local, fortalecendo o equilíbrio do ecossistema e contribuindo para a resiliência climática da região.
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