Descrever a evolução de uma bebida que combina tradição e inovação, com foco em Mendoza, na Argentina. O objetivo é apresentar o que aconteceu, quem está envolvido, quando, onde e por quê, de forma objetiva e factual.
Na região de Mendoza, Argentina, o engenheiro Hervé Birnie-Scott criou um método de vinificação voltado a um espumante de baixo teor alcoólico. O resultado serve de base ao spritz pronto para beber da marca Chandon, do grupo LVMH.
A iniciativa aparece em meio a uma demanda crescente por vinhos com menor graduação alcoólica e por bebidas prontas para consumo. A produção depende de campanhas de produtores e de mudanças no ritmo de colheita, que costuma ocorrer apenas uma vez por ano.
Birnie-Scott atua como diretor técnico da Chandon Argentina. A empresa integra a história da marca Chandon, fundada na década de 1950, com presença marcante na região de Mendoza e expansão para outros mercados ao redor do mundo.
Método e lançamentos
Em 2021, a Chandon lançou Garden Spritz orange, a primeira linha mundial da casa a explorar um spritz pronto. O objetivo é ampliar o alcance da mixologia entre consumidores leigos e aficionados, segundo o presidente da empresa, Arnaud de Saignes.
A linha atual inclui spritz citron-verveine e spritz framboise-cassis-hibiscus. Os aromas são desenvolvidos por enólogos e pela equipe de mixologia da empresa, com foco na naturalidade do produto e parcerias com produtores da Patagônia e dos altos planaltos.
Birnie-Scott descreve o segredo técnico como uma virada: o mousseux de 6% não passa por desalcoolização nem por etapas que alterem os aromas. A fermentação ocorre diretamente a partir do mosto, até chegar a 6% de álcool, mantendo o sabor e a sensação de espuma.
Para chegar a esse resultado, o processo envolve fermentação do jus de uva com leveduras, atingindo 5% de álcool e, em seguida, o fechamento da cuba para permitir a fermentação até 6%. O resfriamento interrompe o processo, resultando no mousseux final com açúcar residual.
Desafios de produção e adaptação
A principal limitação é a capacidade de fermentação em tanques fechados, necessária para absorver todo o líquido de uma safra. Atualmente, apenas parte da colheita pode ser vinificada dessa forma, exigindo planejamento de infraestrutura.
Como solução, a equipe avalia armazenar “mostos” em condições controladas ao longo do ano, para fermentarem quando houver espaço. A estratégia demandaria tanques de aço inoxidável bem isolados e controle de temperatura constante.
Birnie-Scott soma quase três décadas atuando na viticultura de Mendoza, inclusive em propriedades da Chandon e Terrazas de los Andes. Além de inovação em vinhedos, ele destaca a elevação das plantações para enfrentar o aquecimento global.
Outra frente de adaptação envolve irrigação. A região, historicamente dependente de poços, reduziu o consumo de água em cerca de 50% nos últimos 15 anos, com técnicas israelenses de irrigação mais precisas.
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