A nova pesquisa aponta que até 36% da Amazônia são áreas alagadas com água subterrânea rasa, que resistem melhor à seca. O estudo foca em florestas alagadas onde palmeiras e outras árvores mantêm saúde e biomassa mesmo sob estresses climáticos.
Conduzida pela ecologista Flávia Costa, a equipe acompanha 25 parcelas de 1 hectare ao longo de um transecto de 600 km no Brasil central-sul. O trabalho, iniciado em 2009, registra respostas de palmeiras e árvores a secas intensas.
O estudo, publicado em fevereiro na Journal of Ecology, sustenta que a hidrologia local e as interações climáticas limitam os impactos da seca nessas áreas. As florestas de baixa topografia compensam a falta de chuva via água subterrânea.
Contexto regional e impactos
Costa afirma que as áreas de água rasa podem funcionar como refugos para biodiversidade e como componentes estáveis de sequestro de carbono. O achado sugere direcionamento de ações de conservação para esses ambientes específicos.
A pesquisadora ressalta que as previsões de colapso não são uniformes em toda a Amazônia. Mesmo com riscos amplos, existem regiões com dinâmica estável que exigem proteção dedicada.
Metodologia e parcerias
As medições mensais em campo foram feitas ao longo de duas décadas, sem depender apenas de modelos. A equipe utiliza um isento de campo para monitorar o desempenho de palmeiras em áreas de baixa água subterrânea.
Especialistas independentes destacam o valor de dados de campo para respaldar políticas públicas. O estudo reforça a importância de incluir florestas de água rasa em avaliações climáticas e planos de conservação.
Perspectivas futuras
Os resultados não garantem permanência da resistência diante de mudanças climáticas contínuas. Ainda assim, destacam a relevância de proteger áreas com hidrologia estável, que podem manter serviços ecossistêmicos e funcionarem como referências para manejo adaptativo.
A pesquisa também aponta lacunas, incentivando mais estudos de campo nessas florestas rasas para entender a resiliência a longo prazo e o papel dessas áreas na recuperação de biomassa após eventos de seca extrema.
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