O estudo publicado na Nature Geoscience identifica uma relação estreita entre o aquecimento das águas costeiras e o surgimento de ondas de calor úmidas que se espalham para o interior. O foco está nos trópicos, onde a ligação terra-mar é mais forte e as ondas de calor são mais frequentes.
Pesquisadores do Potsdam Institute for Climate Impact Research (PIK), da Princeton University e da Sun Yat-sen University networkaram dados históricos de temperaturas de superfície do mar e de ondas de calor úmidas. Eles associam o avanço do aquecimento oceânico costeiro ao aumento da frequência e da extensão das ondas de calor com umidade alta em regiões tropicais.
A conclusão central aponta que cerca de 50% a 64% do aumento na frequência e na concentração de ondas de calor úmidas em hotspots tropicais está ligado ao aquecimento das plataformas oceânicas adjacentes. Os mecanismos envolvem transporte de umidade do mar para a terra e a atuação de ondas de Rossby que disseminam padrões climáticos.
Detalhes da relação oceano-terra
O estudo mapeou períodos de verão no Hemisfério Norte e Sul ao longo de 41 anos (1982–2023) e verificou sincronias entre altas temperaturas costeiras e ondas de calor. A intensidade dessas ondas é maior nas zonas equatoriais, onde a umidade é mais elevada.
Regiões com maior risco
Os hotspots incluem o Golfo Pérsico, o Sudeste Asiático, a América do Sul tropical e as áreas do Atlântico tropical. Os pesquisadores destacam que populações costeiras enfrentam maior vulnerabilidade, principalmente em áreas com acesso limitado a ar-condicionado.
Implicações para saúde e economia
Especialistas consultados ressaltam que ondas de calor úmidas elevam o risco de mortalidade por hipertermia. A possível intensificação futura depende do aquecimento contínuo dos oceanos, o que pode impactar trabalhos ao ar livre e atividades econômicas ligadas à agricultura e ao turismo.
Perspectivas e políticas públicas
Os autores defendem que entender a ligação oceano-terra é essencial para previsões precoces de eventos extremos. A comunicação desses dados a serviços meteorológicos regionais pode permitir planos de proteção à população antes de ondas de calor atingir áreas afetadas.
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