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Chimpanzés de Uganda travam guerra interna; cientistas buscam razões

Chimpanzés da Ngogo, Uganda, se dividem em duas facções rivais, com ataques mortais e infanticídio; estudo na revista Science descreve o fenômeno

Fotografia de tribos selvagens de chimpanzés brigando.
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Em Kibale, Uganda, um grande grupo de chimpanzés selvagens se estruturou em duas facções rivais, marcando uma divisão interna rara. O conflito envolve a comunidade Ngogo, que já contou com cerca de 200 indivíduos.

O fenômeno gerou uma série de ataques mortais entre antigos aliados, com violência que se estendeu por anos. O caso foi descrito em um estudo publicado na revista Science, que analisa a ruptura dentro do grupo e seus desdobramentos.

Pesquisa de longo prazo acompanhou o grupo desde os anos 1990, quando ele era uma das maiores comunidades registradas. A convivência apresentava cooperação em alimentação, higiene e patrulha do território.

Contexto da comunidade

Entre 1998 e 2014, alguns chimpanzés passaram a formar alianças estáveis, especialmente entre machos adultos. A partir de 2015, a divisão ganhou consistência, levando a uma separação de territórios e de parceiros reprodutivos.

Em 2018, a ruptura já tinha se consolidado, com dois blocos que viviam e se reproduziam separadamente. Quando ocorriam patrulhas nas fronteiras, ataques organizados se tornavam comuns entre os grupos.

Possíveis causas da fragmentação

Conflitos entre grupos são comuns na natureza, mas a violência interna a um único grupo é excepcional. Estudos sugerem que mudanças no tamanho do grupo e eventos na década de 2010 podem ter desestabilizado alianças.

Entre 2014 e 2015, mortes de machos adultos e de uma fêmea, possivelmente por doenças, afetaram a hierarquia. Em 2015, um novo macho alfa assumiu, seguido por uma epidemia respiratória que pode ter atingido cerca de 25 chimpanzés.

A partir de 2018, ataques entre as facções passaram a incluir infanticídio, com invasões do território rival e morte de filhotes. Entre 2018 e 2024, a média indicada é de um macho adulto e dois filhotes mortos por ano.

Perspectivas e significado

Segundo os autores, o episódio oferece pistas sobre origens da violência coletiva em sociedades complexas. Chimpanzés são próximos dos humanos no genoma, e o estudo espera contribuir para entender como mudanças em alianças podem desencadear conflitos.

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