A equipe de cientistas australianos apresentou o primeiro protótipo funcional de bateria quântica, criado por pesquisadores da CSIRO, em conjunto com a RMIT University e a University of Melbourne. O estudo foi publicado na Nature Light: Science & Applications, na última quarta-feira. O dispositivo funciona com base em leis quânticas, não químicas, para carregar, armazenar e liberar energia.
O protótipo é uma lâmina em camadas de materiais orgânicos, montada como um sanduíche nanoscópico. Ele é carregado sem fio por um pulso de laser de femtossegundos e mantém a energia por nanossegundos, muito mais rápido do que baterias convencionais.
A descoberta desafia o conceito tradicional de que baterias ficam mais lentas à medida que a capacidade aumenta. Em baterias quânticas, quanto mais moléculas são empacotadas, mais rápido ocorre o carregamento, por meio de um efeito coletivo chamado “superabsorção”.
Desempenho e implicações
Os pesquisadores descrevem o tempo de carregamento como 1/√N, com N sendo o número de moléculas. Dobrar o tamanho reduz o tempo pela metade, criando ganho acelerado conforme a escala aumenta. A equipe já demonstrou a extração de energia na forma de corrente elétrica.
Em conferência, o líder do estudo, James Quach, afirmou que o objetivo é ampliar o tempo de retenção da energia em dispositivos reais. O protótipo atual opera à temperatura ambiente, vantagem frente a outras abordagens que requerem refrigeração.
Aplicações e próximos passos
Segundo os responsáveis, a aplicação imediata não é para carros elétricos ou telefonia, mas para computadores quânticos, que demandam energia estável e coerente. A CSIRO busca parcerias com fabricantes de veículos elétricos e investidores para evoluir o hardware.
Especialistas ressaltam que a novidade ainda está em estágio conceitual, com capacidade prática muito limitada hoje. Contudo, a pesquisa abre caminho para baterias quânticas que alimentem sistemas quânticos com menor custo energético.
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