Um estudo publicado na revista Fapesp sugere que o suco gástrico, líquido normalmente descartado durante a endoscopia, pode ajudar a identificar o câncer de estômago com maior precisão. A análise desse fluido também pode indicar a agressividade do tumor.
Pesquisadores liderados por Emmanuel Dias-Neto, do Centro de Referência em Tumores do Aparelho Digestivo Alto do A.C.Camargo Cancer Center, examinaram amostras de suco gástrico de 941 pacientes submetidos à endoscopia.
A principal constatação é que pessoas com câncer apresentaram mais do que o dobro de DNA livre no suco gástrico do que pacientes com lesões pré-cancerosas. Além disso, a concentração de DNA aumentava conforme o estágio do tumor.
Segundo os autores, o DNA no suco gástrico reflete a atividade de células tumorais que se multiplicam e morrem, funcionando como um retrato molecular do que ocorre no estômago.
Entre pacientes com câncer em estágio inicial, níveis mais altos de DNA no suco estão associados a melhor perspectiva de sobrevivência, possivelmente pela resposta imunológica mais eficaz contra a doença.
Implicações práticas
O método ainda não substitui a biópsia tradicional, mas pode atuar como complemento da endoscopia. O DNA no suco gástrico foi capaz de indicar a presença de câncer em cerca de 66% dos casos, desempenho considerado moderado.
Em alguns cenários, especialmente tumores mais avançados, houve emissão de resultado inicial negativo em cerca de 16% dos pacientes, o que ressalta a necessidade de confirmação por biópsia.
Especialistas destacam que o suco gástrico já é coletado durante o procedimento e, ao analisá-lo, não seria necessário custo adicional significativo, mantendo a endoscopia como método principal de detecção.
O que muda na prática
A expectativa é que, no futuro, a abordagem possa reduzir falhas na detecção precoce, orientar melhor a coleta de biópsias e oferecer indícios sobre o prognóstico do paciente. Hoje, a endoscopia digestiva alta continua sendo o exame-chave para diagnóstico.
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