Segundo um estudo publicado no final de março no journal Physiology & Behavior, gatos passam a comer menos conforme se acostumam com o cheiro da comida. A descoberta vem de experimentos com 12 felinos domésticos na Universidade de Iwate, no Japão. O objetivo foi entender o papel do olfato na alimentação fracionada.
Os pesquisadores acompanharam seis ciclos de alimentação com pausas entre eles. Em cada ciclo, potes cheios surgiam e eram substituídos por vazios após 10 minutos. Em ração repetida, o interesse cai de ciclo para ciclo; com sabor novo, o interesse retorna.
No segundo conjunto de testes, uma mudança de ração no sexto ciclo reverte parte da queda no consumo. Quando a ordem de marcas é invertida, o efeito persiste: a novidade, e não o sabor, impulsiona a reentrada de interesse. O fator é o cheiro.
Em outro experimento, potes com a mesma ração receberam cheiros diferentes. Apenas a mudança de aroma já estimulou os gatos a comer novamente, sugerindo que o olfato é determinante para manter o interesse em lanches.
Os resultados ajudam a explicar a alimentação modular dos gatos, que evoluíram de caçadores com refeições fracionadas para animais domésticos. A domesticidade ocorreu há cerca de 10 mil anos, no Oriente Médio, com vantagem para capturar roedores urbanos.
A pesquisa relaciona o comportamento aos chamados lanchinhos ao longo do dia, herdados dos ancestrais selvagens. O estudo aponta que o olfato induz a busca por novidades na comida, mantendo a variedade na dieta dos gatos domésticos.
A monitorização também reforça o papel da monotonia na alimentação felina. Mesmo sem saber exatamente os nutrientes, os gatos buscam sabores e aromas diferentes para completar a dieta ao longo do dia.
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