Aotearoa, New Zealand — Um estudo conduzido por pesquisadores indígenas utiliza mātauranga Māori para mapear mudanças nas árvores frutíferas das florestas Te Urewera e Whirinaki nos últimos 75 anos. O objetivo é entender como o clima afeta a fenologia das frutas.
Entre 2004 e 2018, 39 praticantes florestais participaram de entrevistas e oficinas de verificação de conhecimento. A maior parte tinha mais de 60 anos, e muitos relatos ocorreram em te reo, na mata, para registrar observações de campo.
Os relatos indicam mudanças climáticas desde os anos 1990: verões mais longos, quentes, menos geadas e mais tempestades. O resultado é uma floresta mais seca e frágil, agravada pela presença de cervídeos e cabras invasoras que impactam o solo.
Transformação do ritmo da floresta
A queda no peso das frugíferas de verão reduz a disponibilidade de nutrientes no solo, diminui a atividade de microrganismos e de lombrigas, e desacelera a decomposição. Com menos frutos, espécies como kererū e javalis tornam-se menos abundantes.
Essas mudanças ambientais afetam não apenas a ecologia, mas também a cultura e a nutrição local. Autoridades indígenas relatam que a expressão cultural está conectada ao estado da floresta, afetando o bem-estar.
O estudo registra termos em te reo para descrever fases das frutas, como papahoro e kōuriuri, destacando a relação entre língua, ecologia e território. O abandono dessas palavras acompanha a perda de perceções ecológicas relevantes.
Integração de saberes tradicionais
Os autores enfatizam que o conhecimento tradicional precisa de hubs de conhecimento baseados em paisagens e de integração em políticas de conservação. A maior parte dos participantes já faleceu, o que intensifica a preocupação com a preservação de saberes.
A equipe destaca a importância de valorizar o mātauranga, aliado a outras vivências indígenas, para compreender o passado e o presente das mudanças climáticas. Pesquisadores não envolvidos no estudo concordam com o papel vital desses saberes.
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