Durante muito tempo, cientistas debateram se os ancestrais dos mamíferos botavam ovos ou davam à luz filhotes vivos. Um fóssil de embrião, com cerca de 250 milhões de anos, encontrado na África do Sul, aponta que esses animais eram ovíparos. A peça é atribuída ao Lystrosaurus, terapsídeo ancestral dos mamíferos modernos.
A análise empregou tecnologia de ponta, com escaneamento por radiação síncrotron para revelar estruturas internas invisíveis a olho nu. O embrião preservado não trazia casca visível, mas a mandíbula inferior ainda não estava plenamente fundida ao crânio, sinal típico de embriões em ovos.
O fóssil foi descoberto há anos, mas só recentemente passou por estudo aprofundado. Técnicas de imagem permitiram visualizar a estrutura da mandíbula, evidenciando que o animal morreu antes de eclodir, corroborando a reprodução ovípara.
Tecnologia de imagem revela detalhes
Detalhes da mandíbula indicam que o embrião ainda era menos desenvolvido, como em aves e répteis em estágio pré-eclosão. A conclusão é de que o Lystrosaurus dependia de ovos, não de nascimento vivo.
A descoberta foi publicada na revista PLOS One. O estudo ressalta que o Lystrosaurus integrou um grupo de terapsídeos que antecedeu os mamíferos modernos, representando uma etapa crucial da evolução.
Impacto na história evolutiva
Além de esclarecer a reprodução, o achado ajuda a entender como surgiram características futuras, como lactação e nascimento vivo. A presença de ovos grandes é destacada como vantagem em ambientes secos, favorecendo a autonomia dos filhotes.
O Lystrosaurus também é lembrado pela sua sobrevivência à Grande Extinção, ocorrida há cerca de 252 milhões de anos. A combinação de estratégia reprodutiva e tamanho de ovos pode ter contribuído para a resistência durante o evento.
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