Mike Krieger deixou o conselho da Figma, em 14 de abril, no mesmo dia em que a Anthropic mostrou avanços em ferramentas de design baseadas em IA. A saída expõe uma mudança maior: IA deixa de apoiar o software para competir por espaço dentro dele.
Krieger, brasileiro, é cofundador do Instagram e atua como CPO da Anthropic. A movimentação ocorreu durante a época de preparação da Figma para o IPO, sinalizando uma reconfiguração de alianças entre empresas de software e IA.
A Figma é conhecida por design colaborativo e pela passagem de trabalho entre design e engenharia. A Anthropic fornece modelos de IA que já geram interfaces e conteúdos a partir de linguagem natural, reduzindo etapas históricas do fluxo criativo.
Contexto tecnológico
A parceria entre as duas empresas era vista como complementar. A Figma oferecia o espaço de edição e colaboração; a Anthropic fornecia a camada de IA para acelerar tarefas e sugerir caminhos. Era um modelo de cooperação estável, com divisão de funções.
Com o Claude Opus 4.7, a Anthropic passou a gerar websites, interfaces, landing pages e apresentações a partir de descrições. Na prática, isso aproxima ideia de protótipo da execução, encurtando o ciclo de concepção.
Essa tendência se insere na história do software, que desde os anos 1990 busca esconder complexidade técnica atrás de interfaces mais simples. A IA generativa passa a funcionar como tradutor entre intenção humana e estrutura digital.
Reação do mercado e desdobramentos
A reação inicial do mercado foi volátil: ações da Figma caíram e se recuperaram após a confirmação da saída de Krieger. Investidores veem risco, mas não sinalizam substituição imediata do modelo atual.
Ainda há questões técnicas. Gerar uma interface rapidamente é diferente de manter um design consistente em equipes grandes, com acessibilidade, versionamento e integração com engenharia.
No choque entre promessa e realidade, a indústria tende a buscar convivência entre IA e software. Ferramentas novas entram pelo protótipo, ganham tração e, com o tempo, convivem com soluções existentes de governança e escalabilidade.
Ao final, a saída de Krieger sinaliza uma reorganização maior: a Anthropic busca transformar IA em ambiente de criação; a Figma precisa preservar a edição colaborativa e a coerência em escala, em meio a disputas por espaço.
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