Durante aproximadamente 10 mil anos, homens europeus teriam consumido mais proteína de origem animal que as mulheres, aponta estudo recente. A pesquisa analisa restos humanos para entender padrões alimentares ao longo da história.
Os autores Rozenn Colleter, do INP, em Paris, e Michael Richards, da University of Simon Fraser, lideraram o estudo. A equipe examinou a composição química de mais de 12 mil esqueletos de quase 400 sítios europeus, de Portugal à Rússia.
A amostra abrange períodos desde o fim da Era do Gelo até os dias atuais, com maior densidade de dados no início da Idade Média, na Antiguidade e na Alta Idade Média. Os resultados indicam desigualdade no acesso a proteína animal entre os sexos.
Como a pesquisa foi feita
Os cientistas analisaram isótopos de nitrogênio-15 e carbono-13, relevantes para indicar consumo de proteína animal e dietas com grãos específicos. Variações nesses isótopos ajudam a deduzir hábitos alimentares ao longo da vida.
Para reduzir efeitos de fatores externos, foram usados critérios comparativos: apenas os 10% superiores e os 10% inferiores em cada período foram considerados. A abordagem evidenciou diferenças marcantes entre homens e mulheres.
Principais resultados
Em todos os períodos, homens estiveram acima na faixa de maior consumo de proteína animal. A média da razão nitrogênio-15 foi maior entre homens do que entre mulheres ao longo das eras estudadas. Em números, 1.062 homens frente 492 mulheres estavam nos 10% superiores.
Nas amostras com menor consumo, a diferença se mantém, com 862 mulheres contra 678 homens. Há exceções: em 5% dos sítios, as mulheres tiveram maior acesso a proteínas de origem animal que os homens.
Interpretações e impactos
Especialistas discutem que fatores econômicos e sociais ajudam a explicar o padrão. Refeições em que homens e mulheres comem separadamente podem concentrar itens considerados mais nobres nos homens. Sociedades que valorizam filhos homens também podem influenciar o acesso a carnes, peixes e laticínios para os meninos.
A pesquisa reforça a ideia de que padrões alimentares históricos envolveram dinâmicas de poder e organização social. Os autores ressaltam que mais dados são necessários para entender as variações entre comunidades e períodos.
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